Obama ameaça adotar novas sanções contra Rússia

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Image caption Obama disse novas sanções serão aplicadas mesmo que prejudiquem EUA e Europa

O presidente dos EUA, Barack Obama, alertou nesta terça-feira que a Rússia sofrerá novas sanções se continuar a desrespeitar a soberania da Ucrânia.

Após a reunião entre líderes do G7, em Haia, na Holanda, Obama afirmou que os Estados Unidos e seus parceiros europeus estão preparados para tomar medidas que trariam danos a "setores inteiros" da economia russa, mesmo que isso prejudique a si mesmos.

O presidente americano também fez um apelo à comunidade internacional para que ela apoie a Ucrânia tanto politicamente quanto economicamente.

Obama ainda afirmou que a anexação da Crimeia pela Rússia não é "um assunto encerrado" e acrescentou que as ações da Rússia era motivadas pelo "enfraquecimento de seu poder regional".

Exclusão

Mais cedo, foi anunciada a suspensão russa do grupo até então conhecido como G8 - formado pelos países mais industrializados do mundo: Alemanha, Canadá, França, Japão, Itália, Reino Unido, Rússia e Estados Unidos.

Sob a liderança de Obama, os presidentes do grupo se reuniram em Haia em vez de Sochi, na Rússia, como estava previsto. A cidade holandesa está sediando um encontro sobre cooperação nuclear internacional.

A delegação russa não foi chamada ao encontro, em represália à anexação da Crimeia por Moscou.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse que a decisão envia "a mensagem mais clara possível" sobre as atitudes tomadas pela Rússia e que isso só evidencia o "crescente isolamento político" do país.

Tanto o Reino Unido quanto os Estados Unidos disseram que será difícil recriar o G8 num futuro próximo.

Em reação à decisão, Moscou disse que o G8 é um "clube informal" e que seus membros não podem ser expulsos.

Sem a Rússia, o grupo agora passa a ser conhecido como G7.

Sanções

Os Estados Unidos e a União Europeia proibiram viagens de autoridades russas e autoridades ucranianas pró-Rússia na Crimeia e congelaram seus bens depois que a Rússia assumiu o controle da região autônoma.

Na segunda-feira, o presidente interino da Ucrânia, Olexander Turchynov, ordenou às suas tropas que se retirem da Crimeia devido a "ameaças russas às vidas dos militares e seus familiares".

O anúncio ocorreu logo depois que forças russas capturaram uma base naval em Feodosia – a última instalação militar que ainda estava sob controle da Ucrânia na região. Foi a terceira invasão do gênero em um período de 48 horas.

Ainda na segunda-feira, o chanceler russo, Sergei Lavrov, se reuniu com o ministro de Relações Exteriores ucraniano, Andriy Deshchytsia, pela primeira vez desde a intervenção russa na Crimeia que deflagrou a atual crise diplomática.

A anexação da Crimeia pela Rússia, em 16 de março, ocorreu após uma onda de protestos derrubar o presidente ucraniano pró-Kremlin, Viktor Yanukovych, em fevereiro, e após o referendo em que a população local votou pela integração com Moscou.

Em um comunicado divulgado pouco depois, o parlamento da península se declarou formalmente independente da Ucrânia e pediu que a Crimeia fosse incorporada ao país vizinho.

O pedido foi aceito pelo presidente russo, Vladimir Putin, ao assinar um tratado. De acordo com Putin, o referendo e a decisão do Parlamento da Crimeia representaram a correção de uma "injustiça histórica".

A Crimeia foi parte da Rússia até 1954, quando o líder soviético Nikita Khrushchev decidiu devolvê-la à Ucrânia.

Cerca de 58% dos habitantes da península são de etnia russa. Os demais moradores da região são, em sua maioria, ucranianos e há ainda uma minoria tártara.

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