Atrasos e máfia afetam organização de feira mundial na Itália

Canteiro de obra da Expo 2015
Image caption Autoridades dizem que obras da Expo 2015 ficarão prontas a tempo

A um ano do início da Expo 2015 em Milão, na Itália, os organizadores da feira internacional encaram atrasos, acusações de corrupção e até de inflitração da máfia nas obras do evento.

A Itália espere que a mostra, entre maio e outubro do ano que vem, melhore a imagem do país no exterior e atraia cerca de 20 milhões de visitantes.

No entanto, a construção dos pavilhões que abrigarão os estandes de 145 países, entre os quais o Brasil, foi afetada quando a estatal Infrastrutture Lombarda, responsável pelas obras, foi acusada de corrupção e superfaturar contratos. No mês passado, o diretor-geral e mais sete dirigentes da empresa foram presos.

Isso aumentou ainda mais o temor de atrasos das obras, cujo calendário já foi prejudicado por excesso de burocracia, bloqueios de verbas e demoradas desapropriações de terrenos no início do projeto. "Há uma forte preocupação de que o planejamento se atrase", admitiu recentemente Roberto Maroni, governador da Lombardia, região da qual Milão é a capital.

Alguns projetos já foram deixados de lado pelos organizadores– a prefeitura de Milão, a região administrativa da Lombardia e o governo italiano - porque não ficariam prontos a tempo. Entre eles estão uma das três linhas novas de metrô planejadas originalmente, algumas ampliações de estradas, uma reforma na rede ferroviária e a construção de um "horto planetário" com vegetais de todo o mundo.

Agora a Expo se concentra nas obras principais na área de exposições, que deverá cobrir cerca de um milhão de metros quadrados, e nas vias de acesso ao local. Na construção de uma dessas vias, a tangencial leste, a polícia detectou o infiltramento da 'Ndrangheta, a máfia calabresa.

Depois disso, sete empresas que trabalhavam no projeto foram substituídas. Também se apontou o envolvimento do clã mafioso Barbaro-Papalia, da Calábria, na construção de uma nova linha de metrô.

As descobertas complicaram ainda mais o andamento do projeto, já que todas empresas contratadas têm que passar por uma investigação extensiva que as isente de ligações com a máfia.

Simpatia popular

Apesar dos percalços na organização, boa parte dos habitantes de Milão vê a Expo com simpatia, por acreditar que ela será uma chance de mostrar a cidade ao mundo – e de lucrar com os turistas adicionais. Os atrasos são vistos com tranquilidade. Um bordão muito ouvido na metrópole italiana atualmente é "até a Expo deve ficar pronto", uma referência jocosa que vale para qualquer obra da cidade, ligada à exposição ou não.

"Esse será o primeiro grande evento italiano depois da crise", afirma o prefeito de Milão, Giuliano Pisapia. Ele diz que tudo estará pronto a tempo. É o que também afirma Giuseppe Sala, CEO da Expo.

"Estamos trabalhando 20 horas por dia nos canteiros de obras. Acumulamos atrasos, sim, mas estamos recuperando o tempo", afirmou Sala. Segundo ele os países participantes investirão cerca de 1,2 bilhões de euros no projeto, quase tanto como o lado italiano, que deverá gastar 1,3 bilhões.

O Brasil firmou o contrato de participação na Expo em outubro de 2013. O pavilhão do país contará com mais de 4 mil metros quadrados e terá como temas centrais agricultura, sustentabilidade e tecnologia, de acordo com o lema da exposição universal: "Nutrir o planeta – energia para a vida".

O Brasil tinha se candidatado para sediar a Expo 2020, que, no entanto, será realizada em Dubai. A exposição universal é organizada a cada cinco anos. A última, de 2010, foi sediada em Xangai, na China.

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