Após duras críticas, COI diz que 'ainda acredita' nas Olimpíadas do Rio

Vista áerea do Parque Olímpico do Rio (AFP) Direito de imagem AFP
Image caption Nas últimas semanas, membros do COI manifestaram preocupação com os Jogos Olímpicos do Rio

Horas após o vice-presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), o australiano John Coates, dizer que os preparativos em torno dos Jogos Olímpicos do Rio 2016 são os "piores" da história recente, o órgão baseado na Suíça emitiu nota em que reitera a parceria com o comitê local e afirma que "ainda acredita" na capacidade do Rio de sediar o megaevento.

No comunicado enviado à imprensa, o COI diz ainda que seu diretor-executivo para Jogos Olímpicos, o suíço Gilbert Felli, recebeu em sua atual passagem pelo Rio "uma resposta muito positiva nos últimos dias, e que uma série de desdobramentos mostram que as coisas estão se movendo na direção certa".

Embora o Comitê Organizador Local Rio 2016 rejeite o título de "interventor", Felli acabou recebendo essa classificação da imprensa por ter sido enviado ao Brasil pouco após o presidente do COI, Thomas Bach, ter dito, duas semanas atrás, que a entidade estava "muito preocupada" e que havia decidido por um papel "prático" na organização - enviando especialistas e supervisores para ajudar a cidade a agilizar os preparativos.

Novas iniciativas

De acordo com o comunicado, que cita novas iniciativas para ajudar no progresso dos preparativos, Felli deve continuar a ter papel crucial nesta relação até o final dos trabalhos.

"As medidas incluem forças de trabalho conjuntas (do COI) com os organizadores; recrutamento de um gerente local de obras; a criação de um órgão decisório de alto nível aliando COI, governos e todos os parceiros-chave do projeto; e mais visitas regulares do diretor-executivo para Jogos Olímpicos, Gilbert Felli".

"Continuamos acreditando que o Rio tem a capacidade de entregar Jogos excelentes", diz o documento, em tom conciliatório após três semanas de duras críticas e pressões do COI aos organizadores locais.

Três das figuras mais importantes do órgão (Thomas Bach, Gilbert Felli e John Coates), com décadas de experiência olímpica, verbalizaram o descontentamento da entidade com o atraso dos preparativos e sinalizaram que colocarão em prática a partir de agora uma nova "força tarefa" para fazer os Jogos acontecerem.

"O COI adotou uma postura de 'mão na massa', o que é sem precedentes (na história da instituição), mas não há plano B. Estamos indo para o Rio", disse Coates nesta terça-feira, deixando claro que não é habitual que a entidade tenha que intervir de forma tão direta na organização de uma Olimpíada.

Discussões

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Image caption Coates, do COI, criticou a organização dos Jogos

Mais cedo, o Comitê Organizador Local Rio 2016 disse em nota que "já passamos da hora em que discussões genéricas sobre o progresso da preparação possam contribuir com a evolução da jornada rumo aos Jogos".

A entidade destacou o lançamento da licitação para as obras do Parque Olímpico de Deodoro classificando-o como crucial e um "inequívoco" sinal de avanço. O comitê disse ainda que houve anúncios recentes de orçamento para projetos de infraestrutura e legado.

O órgão afirmou ainda que "o trabalho em conjunto com as três esfera do governo, Federal, Estadual e Municipal, está funcionando. O suporte do Comitê Olímpico Internacional também".

Questionadas pela BBC Brasil, a Empresa Olímpica Municipal e a APO (Autoridade Pública Olímpica), que também integram as outras esferas da organização local, não se pronunciaram, alegando que o posicionamento do Comitê Rio 2016 valia por todos. O Ministério do Esporte também não emitiu nota a respeito.

‘Ausência de respostas’

A declaração de John Coates, que repercutiu em todo o mundo, ocorre no momento em que o Brasil corre contra o tempo para terminar as obras da Copa do Mundo, que começa daqui a 44 dias.

"Ninguém é capaz de dar respostas neste momento", disse o australiano nesta terça-feira.

Coates, que acumula 40 anos de experiência em Jogos Olímpicos e foi chefe do comitê organizador local da Olimpíada de Sydney, em 2000, já fez seis viagens ao Rio como parte da comissão responsável pela supervisão dos preparativos.

Ele acrescentou que um dos peritos deslocados para o comitê local era um diretor de projetos de construção.

"Acho que a situação é pior do que em Atenas (em 2004). Até agora, os preparativos da capital grega haviam sido os piores que eu já vi."

"Nós ficamos muito preocupados. Eles não estão prontos em muitas, muitas formas. Nós temos de fazer (esse evento) acontecer e essa é a decisão do COI. Não podemos simplesmente ignorar essa situação", acrescentou ele.

Ele afirmou que a construção nem começou em alguns locais no Rio, no que serão os primeiros Jogos Olímpicos na América do Sul, enquanto o cronograma de infraestrutura sofreu atrasos significativos e a a cidade possui "questões sociais que precisam ser resolvidas".

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