'Rei do chocolate' é eleito o novo presidente Ucrânia

Petro Poroshenko (reuters) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Magnata dos doces Petro Poroshenko obteve 54% dos votos, superando a ex-premiê Yulia Tymoshenko.

O comitê eleitoral da Ucrânia confirmou nesta segunda-feira que o magnata do setor de doces da Ucrânia, Petro Poroshenko, conhecido como "rei do chocolate", venceu a eleição presidencial realizada no domingo no país.

Poroshenko obteve 54% dos votos, enquanto a ex-premiê Yulia Tymoshenko ficou em um distante segundo lugar, com 13%. Segundo observadores internacionais, a votação foi genuína.

O novo presidente disse que quer restaurar a paz na região leste do país - onde separatistas pró-Rússia ainda estão em conflito com as forças do governo interino-, mas deixou claro que não vai negociar com os que qualificou como terroristas que querem transformar a Ucrânia em um Estado sem lei.

"O objetivo deles é transformar o leste da Ucrânia em uma Somália. Eu não vou permitir que ninguém faça isso ao nosso Estado e espero que a Rússia apoie essa minha abordagem”, afirmou o novo presidente."

O chanceler russo, Sergei Lavrov, disse que seu país está “aberto para o diálogo” com Poroshenko, mas deixou claro que é necessário que o uso da força contra os separatistas seja suspenso.

O novo presidente ucraniano afirmou que espera se reunir com os líderes russos no início do mês que vem, após um viagem para a Polônia onde ele vai se encontrar com o presidente americano, Barack Obama, e líderes europeus.

Em sua campanha, Poroshenko também havia prometido fortalecer os laços com a União Europeia e

Tumulto

A votação deste domingo não foi totalmente tranquila, os separatistas tumultuaram a eleição e cerca de 20 pessoas morreram em confrontos nos últimos dias.

Nenhuma zona eleitoral foi aberta na cidade de Donetsk e naquela região apenas sete das 12 comissões dos distritos eleitorais estavam operando. Os separatistas controlam grandes áres das regiões de Donestk e Luhansk.

Mas as autoridades ucranianas afirmaram que o comparecimento foi alto no resto do país.

Para David Stern, analista da BBC em Kiev, a esperança agora é que esta eleição una o país e dê legitimidade a Poroshenko, "especialmente aos olhos dos moradores do leste, onde o movimento separatista pró-Rússia se fortaleceu".

"Apenas algumas comissões eleitorais estavam operando nas regiões do leste do país e há o temor de que, nos próximos dias, ocorra um aumento da violência lá. A principal questão é: qual será a reação da Rússia?"

Stern lembrou que o presidente russo, Vladimir Putin, disse que vai respeitar o resultado da eleição.

"Mas respeitar não é exatamente o mesmo que reconhecer. A Rússia pode decidir que qualquer ação de Poroshenko para acabar com a insurgência no leste será inaceitável."

"Também ficamos sabendo que Poroshenko pode ser um homem com o qual o governo russo pode trabalhar. Ele é um empresário com interesses na Rússia. Os russos têm alguma familiaridade com ele, o que possivelmente pode contribuir para negociações nos próximos dias", acrescentou Stern.

Eleição parlamentar

Discursando para seus partidários em Kiev, Poroshenko afirmou que vai apoiar a realização de uma eleição parlamentar ainda em 2014.

O magnata também afirmou que nunca vai reconhecer o que ele chamou de "ocupação da Crimeia" pela Rússia. A região foi anexada pelos russos em março.

Poroshenko é um bilionário proprietário do grupo Roshen Chocolates, de um canal de televisão e de várias fábricas.

A eleição presidencial deste domingo foi convocada depois que o presidente Viktor Yanukovych foi deposto em fevereiro em meio a grandes protestos contra suas políticas pró-Rússia.

No total, 18 candidatos disputaram a eleição presidencial, vista como uma votação crucial para unir o país.

O presidente americano, Barack Obama, afirmou que a eleição na Ucrânia foi um "passo importante para avançar com os esforços do governo ucraniano para unificar o país".

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