Mais patrocinadores da Fifa pressionam por investigação de eleição do Catar

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Image caption Denúncias de corrupção envolvem ex-dirigente de futebol do país, Mohamed Bin Hammam

Quatro dos seis patrocinadores da Fifa pediram até o momento que as alegações de que houve corrupção na eleição do Catar como país-sede da Copa de 2022.

As marcas vieram à público após a segunda semana de denúncias publicadas pelo jornal britânico The Sunday Times.

A primeira a se manifestar foi a fabricante de eletrônicos japonesa Sony, que disse esperar uma "investigação apropriada" por parte da Fifa.

Agora, a Adidas, a Visa e a British Petroleum (BP), que é dona da marca Castrol, que é patrocinadora da Fifa, também fizeram declarações sobre o assunto.

Impacto negativo

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Image caption Catar foi eleito para a Copa em 2010

A Visa e a British Petroleum (BP) mantiveram o tom da Sony.

A Visa afirmou que espera "ações apropriadas" da Fifa. A BP comentou que a entidade deve "lidar com o assunto de forma correta".

A Adidas foi um pouco além. Disse esperar dar continuidade à sua longa parceria com a entidade - que já dura 60 anos -, mas acrescentou que o "impacto negativo do debate público em torno da Fifa não é boa para o futebol, a própria entidade e seus parceiros".

Os organizadores da Copa de 2022 também divulgaram um comunicado em resposta às acusações do Sunday Times.

No documento, afirmam que Mohammed Bin Hammam, ex-principal dirigente de futebol do Catar que está no centro das acusações de corrupção, nunca teve qualquer participação na campanha do país.

"Há uma investigação em curso, e estamos cooperando totalmente", disseram os organizadores.

"O Catar ganhou a disputa com base em seus próprios méritos, e estamos confiantes que o país será mantido como sede da Copa."

Contatos e favores

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Image caption Mohamed bin Hammam foi banido do futebol

Na semana passada, o Sunday Times publicou que Bin Hammam pagou 3 milhões de libras para autoridades de futebol ao redor do mundo para conseguir o apoio para a escolha do país.

Agora, Bin Hammam é acusado de ter usado seus contatos na família real e no governo do Catar para conseguir acordos e favores para garantir a realização do torneio no país.

Segundo os emails obtidos pelo jornal, alguns deles vistos pela BBC, Bin Hammam:

* Visitou o presidente russo, Vladimir Putin, para discutir "relações bilaterais entre a Rússia e o Catar um mês antes da votação para os países-sede das Copas de 2018 e 2022.

* Intermediou conversas entre o governo e o executivo da Fifa na Tailândia, Worawi Makudi, para concretizar um acordo de importação de entre o país e o Catar.

* Convidou o ex-executivo da Fifa na Alemanha, Franz Beckenbauer, a ir a Doha apenas cinco meses antes da votação junto com empresários do setor de petróleo e gás, que o haviam contratado como consultor. A empresa disse que explorava investimentos no Catar, mas não chegou a fechar negócios. Beckenbauer negou-se a comentar o assunto.

* Intermediou encontros entre nove executivos da Fifa, entre eles o presidente Joseph Blatter, e membros da família real do Catar.

* Intermediou um encontro entre a equipe de campanha do Catar e o presidente da Uefa, Michel Platini. Platini, que admite ter votado pelo Catar, diz que Bin Hammam não participou da reunião e diz não ter nada a esconder.

Mesmo que a Fifa e o Catar estejam numa posição desconfortável, ainda não está claro que ele ou a equipe de campanha tenham quebrado regras da Fifa.

Ainda assim, o investigador-chefe da Fifa, o advogado Michael Garcia, agora precisa levar em consideração as revelações mais recentes em sua longa análise de eleições de países-sede da Copa.

Mas acredita-se que Garcia não deve ir muito a fundo nas ações de Bin Hammam já que ele já foi banido pela Fifa.

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