Corte julga greve no metrô como 'abusiva'

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Image caption Grevistas serão multados por dias não trabalhados; para cientista político, margem do governo para agir é estreita

O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) declarou como "abusiva" a greve dos trabalhadores do metrô em São Paulo. A greve começou na quinta-feira passada e tem gerado grande apreensão, além de complicar a situação do trânsito da cidade a poucos dias da abertura da Copa do Mundo.

Os metroviários devem decidir em uma assembleia marcada para esta tarde sobre como responder à sentença.

A última proposta dos grevistas é de um reajuste de 12,2% em seu salário. O metrô ofereceu um aumento de 8,7% que foi rejeitado pelos metroviários, mas ratificado pelo TRT.

Na quarta-feira, um tribunal já havia determinado que os sindicatos ligados à greve deveriam pagar uma multa de R$ 100 mil caso não mantivessem 70% dos serviços do metrô funcionando - 100% na hora do rush.

Essa multa foi mantida pelo TRT, que estabeleceu outra multa adicional de R$ 500 mil a ser aplicada se os grevistas resolverem manter a paralisação.

"(Durante os últimos dias de greve) não houve atendimento mínimo à população, gerando grande transtorno, inclusive, no âmbito da segurança pública”, justificou o desembargador Rafael Pugliese, presidente da Seção de Dissídios Coletivos (SDC) do TRT e relator do caso.

Negociação

Para o cientista político Carlos Melo, do Insper, a proximidade do Mundial faz com que a margem do governo para agir sobre a greve seja estreita.

"Essa é uma situação muito complicada para o governo", disse Melo à correspondente da BBC em São Paulo, Katy Watson.

"Reprimir greves e manifestações com violência além de ser pouco democrático e produzir mais violência tem um custo em termos de imagem. O que vai se dizer sobre um país que não negocia com seus trabalhadores e acaba reprimindo manifestações? O governo é obrigado a ceder pelo menos no curtíssimo prazo."

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