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'Bruxa' das contusões poupa Brasil e dá 'vantagem' à Seleção

Direito de imagem BBC World Service
Image caption 'Graças a Deus está todo mundo inteiro', disse o capitão do time, Thiago Silva

Uma Alemanha sem Reus. Uma França sem Ribery. Uma Colômbia sem Falcão. O período de treinos e amistosos das seleções que vão disputar a Copa do Mundo foram marcados por lesões, cortes e lágrimas.

Pouco se falou de táticas, resultados, gols, pontos fortes e fracos dos times, já que as análises acabaram sendo sufocadas pela incrível série de perdas. A bruxa solta resolveu ignorar, no entanto, justamente a seleção da casa.

Os 23 convocados por Luiz Felipe Scolari passaram sem problemas pelas duas semanas de treinos e dois amistosos - contra o Panamá, na quente Goiânia, e em São Paulo, contra a dura seleção da Sérvia. "Não perder ninguém machucado é uma das nossas vantagens", disse o zagueiro David Luiz à BBC Brasil.

"Os jogadores estavam se cuidando bastante nos clubes antes mesmo de se apresentar à seleção", confessou Hulk. De fato, o lateral reserva Maicon já havia dito que pedira para não jogar os últimos duelos da Roma na temporada; Oscar "desapareceu" na reta final, desfalcando o Chelsea em partidas decisivas da Champions League e Campeonato Inglês; Fred pouco jogou com a camisa do Fluminense desde a Copa das Confederações; Neymar também ficou em tratamento no Barcelona na hora decisiva da temporada.

A preocupação extrema e consequente precaução dos jogadores brasileiros em ano de Copa do Mundo são bem conhecidos por técnicos e clubes europeus. Coincidência ou não, a seleção chega "zerada", como Scolari queria.

'Todo mundo inteiro'

Só não é possível comemorar demais ainda porque a Copa não começou. Um dia antes do início da campanha do penta, em 2002, o mesmo Scolari perdeu seu capitão, Emerson, que se machucou em um inofensivo "rachão" (treino recreativo). Quem não se lembra do dramático corte de Romário, às vésperas da Copa de 98? Careca ficou de fora logo antes da Copa de 82, Mozer e Ricardo Gomes foram cortados em 94, Edmilson, em 2006.

O histórico de cortes da seleção antes de outras Copas virou um fantasma que rodou a Granja Comary, mas que está deixando de botar medo nos jogadores. "Era uma das principais coisas que nos preocupava. É uma situação muito difícil para o jogador, ainda mais em Copa do Mundo. Graças a Deus está todo mundo inteiro", falou à BBC Brasil o capitão Thiago Silva, que foi poupado do jogo contra o Panamá justamente para que não houvesse o risco de uma lesão.

Além do Brasil, outra favorita que não sofreu com lesões em cima da hora foi a Argentina. Mas o grande craque do país vizinho, Lionel Messi, parece ter jogado a temporada inteira fora das condições ideais, desde uma contusão no fim do ano passado. De qualquer maneira, a Argentina, assim como o Brasil, venceu seus dois amistosos e vem forte.

Cristiano Ronaldo, o "dono" do time de Portugal, e o brasileiro Diego Costa, que será titular do ataque da Espanha, chegaram desgastados por uma temporada em que os times deles foram até a final da Champions League. Diego Costa atuou no sábado contra El Salvador e fez até um gol, o que talvez mostre que o goleador do Atlético de Madri esteja se recuperando. Mas a Espanha não pôde trazer Thiago Alcântara e Jesus Navas, machucados, para tentar validar seu título de 2010.

A Itália ficou sem dois titulares: o atacante Rossi e o meia Montolivo. Amargou sete jogos sem vitórias, mas pelo menos fez 5 a 3 sobre o Fluminense neste domingo, em Volta Redonda.

A Alemanha, além do genial Reus, já havia perdido Badstuber, Schmelzer, Gundogan e Lars Bender. Outra com muitos desfalques é a Colômbia, que promete ser sensação da Copa, mas terá de substituir à altura Medina, Falcão, Garcia, Aldo Ramírez, Edwin Valencia e Perea. A Holanda também perdeu quase meio time, com as lesões de Van der Wiel, Van der Vaart, Strootmann, Van Ginkel e Willems.

Mas talvez ninguém tenha sido tão castigada quanto a França, que perdeu seu maior jogador, Ribéry, responsável por mais de 70% dos gols do time nas eliminatórias. Menos mal que, no último amistoso antes da Copa, a França tenha feito 8 a 0 na Jamaica, com grande atuação de Benzema. Foi a goleada mais contundente dos amistosos pré-Copa.

São 42 desfalques de última hora, cortados de 16 seleções diferentes. Ruim para a Copa do Mundo. Na visão de alguns, bom para o Brasil.