Holanda faz cinco e humilha a Espanha sob gritos de 'olé'

Jogadores da Holanda comemoram após gol diante da Espanha em Salvador Direito de imagem Getty
Image caption Casillas, quatro anos depois de levantar a taça, começa a Copa da pior forma possível

Na reedição da final da Copa do Mundo de 2010, a Arena Fonte Nova, em Salvador, viveu não só uma revanche da Holanda para cima da Espanha, mas uma impressionante goleada por 5 a 1 que levou ao delírio a torcida laranja presente no estádio e derrubou o ânimo dos atuais campeões mundiais.

As figuras do jogo da África do Sul inverteram os papéis no Brasil e deixaram o campo em situações completamente opostas: se o goleiro Iker Casillas parou o atacante Robben na final de Joanesburgo, desta vez o holandês roubou a cena, marcou dois belos gols e ainda viu o espanhol ter uma atuação ruim, inclusive entregando um gol de presente para o atacante Van Persie.

E se a Espanha ainda pode se apegar à lembrança do Mundial passado, quando começou a campanha com derrota, o revés desta sexta-feira se tornou a pior queda de um defensor de título na história das Copas do Mundo.

Por pouco o resultado não igualou a pior derrota para a Espanha em Mundiais, o 6 a 1 para o Brasil na Copa do Mundo de 1950. A imprensa espanhola fala em "humilhação" e "pesadelo".

Já a Holanda, com um time renovado que sustenta um experiente trio ofensivo, sai fortalecida para buscar o primeiro lugar do Grupo B.

A chave, que também tem Chile e Austrália, é a que cruza com a da seleção brasileira nas oitavas de final. Isso significa que, caso a Espanha fique em segundo no grupo (atrás hipoteticamente da Holanda), a Fúria enfrentaria o Brasil, caso os brasileiros se classifiquem em primeiro em seu grupo.

O jogo

A Espanha começou melhor, mantendo a posse de bola no estilo já consagrado, até chegar ao gol numa cobrança de pênalti convertida por Xabi Alonso.

A penalidade foi sofrida por Diego Costa, brasileiro naturalizado espanhol que foi alvo de vaias da torcida em Salvador sempre que participava do jogo.

Direito de imagem Getty
Image caption A arrancada holandesa começou numa linda finalização de Van Persie, que empatou de cabeça

Ainda no primeiro tempo, Blind, um dos jovens holandeses (24 anos), achou belo lançamento para Van Persie tocar com categoria, de cabeça, por cima de Casillas. Tudo igual no intervalo.

Então, o que se viu no segundo tempo foi um atropelamento holandês na Fonte Nova. Caso a Espanha não se recupere ao longo da Copa, esses 45 minutos acabarão lembrados como aqueles que destruíram as possibilidades desta geração ser bicampeã do mundo.

"Olé" em Salvador

Em menos de meia-hora, a Holanda fez quatro gols, de tudo quanto é jeito. Primeiro, Robben recebeu lançamento na área, limpou o zagueiro Piqué e tocou na saída de Casillas; na sequência, o zagueiro De Vrij aproveitou cobrança de falta de Sneijder e marcou de cabeça.

O terceiro gol desmontou a Espanha, que ficou entregue em campo. Tanto que, ao tentar sair jogando com os pés, Casillas deixou escapar a bola nos pés de Van Persie, que não desperdiçou e tocou para o gol vazio. O quinto gol saiu no contra-ataque, com lançamento direto para Robben que ganhou de Sérgio Ramos, driblou Casillas e fechou o placar da partida.

Direito de imagem Reproducao
Image caption Jornal espanhol "As" não poupou a seleção espanhola, atropelada em Salvador

Perto do fim, Casillas ainda diminuiu um pouco o prejuízo ao fazer duas grandes defesas em chutes de Wijnaldum e Robben. A Holanda perdeu outras duas chances dentro da área para fazer o sexto, mas nada que tirasse o clima de festa e os gritos de "olé" da torcida holandesa, maioria no estádio.

Ao elenco espanhol, restou deixar o gramado de cabeça baixa, visivelmente abalado pelo resultado. O técnico Vicente Del Bosque fez questão de cumprimentar os jogadores no apito final, como se tentasse já motivar o time para os próximos duelos.

Na segunda rodada, a líder Holanda enfrenta a Austrália em Porto Alegre, na quarta-feira. No mesmo dia jogam Espanha e Chile no Rio de Janeiro.

Notícias relacionadas