'Voluntários da Copa são leões comandados por jumentos', diz jornal britânico

torcedor brasileiro Direito de imagem Getty
Image caption Jornal diz que seleções da Copa foram embaladas pelo clima no Brasil, país 'contagiante'

Uma análise no jornal britânico The Guardian, nesta quarta-feira, resume o que considera ter sido a primeira rodada da Copa no Brasil: "Gols, emoções e vilões, um torneio para saborear".

O texto, assinado pelo enviado do jornal ao Brasil Barney Ronay, faz um balanço dos primeiros seis dias do torneio, destacando os momentos mais marcantes dentro e fora dos estádios.

Para Ronay, a Copa "deslanchou como um trem, cheia de gols marcados por equipes comprometidas com ataques que os levam ao limite de suas capacidades físicas".

Ele avalia que o desempenho dentro de campo é contaminado pelo ambiente no Brasil, "um país contagiante, onde mesmo trancado sozinho em um cômodo com ar-condicionado, a atmosfera do lado de fora se infiltra pelos cantos da janela".

O autor afirma que, contrariando as previsões mais pessimistas, a experiência dentro dos estádios tem transcorrido sem grandes empecilhos.

Voluntários

Para ele, o mérito disso vai em grande parte para o "exército de voluntários locais, verdadeiros leões comandados por jumentos no que se refere à organização dentro dos estádios".

"Eles lotam os estádios e seus entornos e frequentemente se desculpam com simpatia pelos erros cometidos por quem está acima deles: a falta de elevadores, escadas que levam a lugar nenhum, as filas, empurrões e a falta de informações."

Sobre o público nas arquibancadas, Ronay aponta a "coleção em massa de pessoas brancas e ricas", algo que não surpreende diante do fato de que apenas 400 mil dos 3,3 milhões de ingressos estavam disponíveis para brasileiros comuns, a preços bem acima de seus salários.

"Enquanto o futebol não pode ser culpado pelas mazelas sociais do Brasil, a Fifa pode e deve ser culpada por não insistir que um grande lote de ingressos tivesse sido vendido para brasileiros a um preço acessível", afirma Ronay, para quem o Brasil tem sido um "verdadeiro deleite", em que as previsões de um colapso aéreo e caos logístico não se cumpriram.

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