Rebeldes controlam fronteiras

Guerrilheiros da Isis (AFP) Direito de imagem AFP
Image caption Grupo jihadista tomou parte do norte do Iraque e promete chegar a Bagdá

O grupo Estado Islâmico para o Iraque e o Levante (Isis, sigla em inglês) tomou neste sábado a cidade iraquiana de Al-Qaim, um importante ponto de passagem próximo da fronteira com a Síria.

Segundo analistas, o controle desta passagem permite ao grupo transportar armamentos pesados entre os territórios de ambos os países nos dois lados da fronteira.

No confronto, morreram cerca de 30 soldados iraquianos, de acordo com informações do governo iraquiano. O grupo islâmico também disse ter tomado outras cidades na província de Al-Anbar.

O Iraque se encontra imerso em um conflito civil que opõe o Isis e aliados sunitas, de um lado, e xiitas e curdos de outro.

Os enfrentamentos continuam na refinaria de Baiji, a maior do Iraque, onde helicópteros das forças do governo foram derrubados. Fontes no local disseram à BBC que os militantes já controlam 90% das instalações.

O grupo jihadista – defensor da <i>jihad</i>, ou guerra santa –, que comanda 10 mil homens no Iraque e na Síria, segundo analistas, quer que os últimos desdobramentos alimentem sua marcha em direção à capital iraquiana, Bagdá.

Entretanto, analistas alertam para o pesado esquema de proteção na capital iraquiana. Neste sábado, milhares de milicianos xiitas do chamado Exército Mehdi - leais ao clérigo Moqtada al Sadr - desfilaram pelas ruas em uma demonstração de força.

O líder religioso, que comandou a resistência contra as tropas americanas que invadiram o Iraque, também convocou manifestações xiitas para todo o país.

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Image caption Xiitas em Bagdá responderam com demonstração de força, elevando tensões

A ONU estima que cerca de um milhão de pessoas já foram deslocadas dentro do Iraque como resultado da violência neste ano.

Cerca de 500 mil deixaram suas casas apenas em Mosul, a segunda cidade mais populosa do país, capturada na semana passada.

O secretário americano de Estado, John Kerry, deve viajar para o Iraque nos próximos dias para pressionar o governo iraquiano a ampliar a presença das diversas facções do país no gabinete, como forma de tentar aliviar as tensões nas ruas.

O presidente americano, Barack Obama, reconheceu que os extremistas aproveitaram um vácuo de poder na Síria para obter armas e dinheiro. Mas ele negou que armar os rebeldes moderados na Síria – como pede a oposição síria – teria evitado esse fenômeno.

Os EUA, que saíram do Iraque em 2011, enviarão 300 conselheiros militares para o país para auxiliar a luta contra os extremistas. Uma intervenção militar americana não apenas desagrada a Casa Branca como seria ferozmente combatida por xiitas ligados ao Exército Mehdi.

Pressionado pelo governo iraquiano a enviar aviões militares para o Iraque, Obama disse que não existe uma "solução puramente militar" para a crise.

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