Por que o Uruguai, mesmo sem Suárez, preocupa a Colômbia

Suárez, atacante do Uruguai / Crédito da foto: AFP Direito de imagem AP
Image caption Uruguai perdeu seu melhor jogador, mas Colômbia adota cautela nas oitavas de final

Um treinador que chega às oitavas de final de um Mundial com três vitórias para enfrentar uma seleção que acaba de perder seu goleador deveria respirar aliviado. Mas José Pekerman, técnico da Colômbia, parece estar longe disso.

O comandante dos colombianos evitou falar sobre a suspensão aplicada ao atacante uruguaio Luis Suárez antes do jogo deste sábado entre as duas equipes sul-americanas no legendário estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, pelas oitavas de final da Copa do Mundo.

“Nossa preocupação é o Uruguai como um time”, disse Pekerman na coletiva de imprensa um dia antes do jogo que vale a vaga nas quartas de final.

A cautela tem sido uma das características do treinador argentino no comando da Colômbia. Mas o como um rival que, sem Suárez, perdeu de 3 a 1 para a Costa Rica em seu primeiro jogo do Mundial pode preocupar a Pekerman?

'Admiração e respeito'

A Colômbia chega ao Maracanã classificada com o primeiro lugar do grupo C, depois de vencer com tranquilidade Grécia, Costa do Marfim e Japão. A seleção comandada por Pekerman tem mostrado a força do jogo coletivo e ainda conta com jogadores de qualidade, como o meio-campista James Rodríguez.

Somente nesta Copa do Mundo, o jogador já soma três gols, duas assistências e seis roubadas de bola em uma atuação que o colocou como um dos melhores jogadores da fase de grupos, segundo a análise estatística da Fifa.

O Uruguai, por ouro lado, chegou classificado como segundo do grupo D, o “da morte”, atrás da Costa Rica, mas depois de conseguir vitórias difíceis sobre Inglaterra e Itália.

O técnico uruguaio Oscar Tabárez dizia antes da Copa que “passar pelo grupo da morte” poderia dar um grande “empurrão” na motivação dos seus jogadores.

Mas esse efeito poderia ser contrastado pelo golpe que significou para a Celeste a suspensão do atacante Luis Suárez por nove jogos e quatro meses – punição imposta pela Fifa na quinta-feira por conta da mordida no zagueiro italiano Giorgio Chiellini.

Pekerman se limitou a definir esse fato como “um tema muito sensível” e aproveitou para ressaltar as qualidades do Uruguai, por quem declarou “admiração e respeito”.

“O Uruguai é uma equipe muito trabalhada, que tem uma continuidade de um ciclo onde todos os jogadores se conhecem”, observou Pekerman. “Nunca vão perder sua essência, sempre acreditam na vitória, se sentem fortes.” O treinador da Colômbia ainda recordou o quarto lugar conquistado pelo Uruguai na Copa da África do Sul, em 2010 e o título da Copa América conquistado no ano seguinte na Argentina. “Não se cansam de ganhar”, disse.

'Feridos'

Que o Uruguai é uma coisa com o Suárez e outra sem, já ficou claro na segunda rodada da Copa com a vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra. Ambos os gols foram marcados pelo atacante, que havia desfalcado o Uruguai na estreia da Celeste no Mundial contra a Costa Rica por conta da lesão que sofreu no joelho direito.

No entanto, ao ser consultado depois da partida contra a Itália sobre a possibilidade de uma suspensão do atacante, Tabárez lembrou que o Uruguai jogou sem Suárez no ano passado e obteve bons resultados.

Um deles foi na reta final das elimintatórias da Copa contra a Venezuela, quando os uruguaios precisavam da vitória fora de casa e conseguiram o resultado com um gol do atacante Edinson Cavani. Na verdade, a seleção uruguaia fez seus melhores jogos em circunstâncias que pareciam adversas.

Tabárez mencionou ainda que seus jogadores vêm disputando um virtual “mata-mata” desde a segunda rodada do Mundial, já que se perdessem para a Inglaterra ou empatassem contra a Itália, estariam eliminados. Isso também ajuda a ter experiência de jogar sob pressão, como acontecerá neste sábado.

Por último, o técnico uruguaio sugeriu na sexta-feira que a suspensão de Suárez poderia ter um efeito oposto ao que muitos esperam, já que os jogadores consideraram a medida injusta e exagerada.

“Estamos feridos, mas com uma força incrível e com muita rebeldia. Então, mais do que nunca, vamos que vamos”, disse Tabárez finalizando uma coletiva de imprensa em que não admitiu perguntas.

Tudo isso coloca ingredientes extras de emoção ao jogo do Maracanã, o estádio em que o Uruguai conquistou sua última Copa do Mundo, em 1950, vencendo o Brasil no episódio que ficou conhecido como “Maracanazo”. De qualquer forma, há que se levar em consideração outros dois elementos.

Um é que Pekerman parece ter conseguido a empatia de seus jogadores, colocando na cabeça deles o conceito chave de que um Mundial se ganha “jogo a jogo”.

“Uma partida contra o Uruguai é daquelas que sempre quis jogar”, disse o técnico da Colômbia na sexta.

O outro dado é que a última vez que o Uruguai perdeu sem Suárez antes da Copa foi precisamente uma partida contra a Colômbia fora de casa em 2012 pelas eliminatórias. E a diferença foi enorme: 4 a 0, com um gol de Radamel Falcao – que também não estará no jogo de hoje por conta de lesão – e uma grande atuação de James Rodríguez.

Notícias relacionadas