Pressionado, Brasil se afasta de 'guerra' emocional e fala em jogo alegre

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Image caption A seleção brasileira nega que esteja abalada emocionalmente e espera jogo mais aberto nas quartas

A seleção brasileira enfrenta a Colômbia nesta sexta-feira, às 17h, em Fortaleza, com o objetivo de evitar uma eliminação histórica dentro de casa nas quartas de final da Copa do Mundo.

Candidato natural a chegar entre os primeiros do Mundial, o Brasil viu de perto a possibilidade de queda diante do Chile, um rival sem a expressão das grandes seleções da história das Copas.

Agora, tanto para o técnico Luiz Felipe Scolari quanto para o zagueiro e capitão Thiago Silva, enfrentar a Colômbia soa melhor que jogar contra o Chile.

"No meu conceito, a Colômbia tem um jogo melhor, mas deixa jogar. Não tem guerra contra a Colômbia, guerra é contra Chile, Uruguai, Argentina. Contra a Colômbia, são jogos mais alegres, disputados, não tem essa rivalidade. Assim como com o México, até os torcedores têm amizade", disse Felipão.

"A Colômbia tem um time parecido com o nosso. São times que gostam do jogo técnico. Mas também é bem postada. É um time que conhecemos muito bem", completou Thiago Silva.

O capitão brasileiro valorizou a qualidade do rival e lembrou o confronto amistoso de 2012, quando as equipes empataram por 1 a 1 e a seleção colombiana marcou um gol em jogada de James Rodríguez e Cuadrado, destaques do time atual.

Tensão

Caso seja eliminado, o Brasil iguala seu pior período sem chegar às semifinais - seriam três Copas consecutivas. Esse resultado frustraria a expectativa não só da torcida, como de jogadores e elenco, que sempre falaram em título.

Desde o último jogo, a seleção passou toda a semana sendo questionada tanto tecnicamente, já que teve grande dificuldade no jogo frente aos chilenos, quanto emocionalmente, pelas reações dos jogadores que choraram ainda com a disputa em andamento.

Thiago Silva foi visto longe do restante do grupo no momento que antecedeu a disputa por pênaltis. Ele também teria pedido para só chutar um pênalti em caso de necessidade extrema, depois até do goleiro Júlio César.

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Image caption Thiago Silva publicou um texto na internet questionando aqueles que criticaram sua postura

"Em termos psicológicos o time está bem. A pressão é muito grande, eu me entrego de corpo e alma naquilo, então não tem como segurar. Meu comandante (o técnico Luiz Felipe Scolari) está aqui do lado e em nenhum momento questionou minha atitude", disse o capitão.

Na coletiva de imprensa da véspera, Felipão voltou a ser Felipão, ironizando perguntas e tentando desconstruir ideias dos entrevistadores. Em determinado momento, interrompeu uma pergunta sobre ter convocado uma psicóloga para a concentração.

"Parem com isso, isso já estava programado, a gente avançando ela vai estar aqui de novo no final de semana", disse.

Em relação à reunião que fez em Teresópolis com alguns jornalistas amigos, também tratou de minimizar qualquer polêmica. "Alguns são mais meus amigos, outros menos, quem não foi convidado vai ver é porque eu não gosto tanto ou não quero conversar. Não gostou, vá para o inferno."

Sem Luiz Gustavo, suspenso com o segundo cartão amarelo, a tendência é que o Brasil jogue com Paulinho ao lado de Fernandinho no meio. Felipão também confirmou que pode utilizar, provavelmente numa situação específica durante o jogo, o reserva Henrique como volante. Ele treinou na vaga de Fred, o que mudaria o esquema do time.

França x Alemanha

A abertura das quartas de final acontece às 13h desta sexta, no Rio de Janeiro, com o principal clássico desta fase. França e Alemanha, que somam quatro títulos mundiais, jogam para ver quem enfrentará o rival sul-americano nas semifinais, o vitorioso de Brasil x Colômbia.

Os países já se enfrentaram três vezes em Copas do Mundo, com uma vitória da França em 1958 e duas da Alemanha, em 1982 e 1986. Em termos de retrospecto, a equipe alemã busca chegar entre os quatro melhores pela 13ª vez na história; já o time francês tenta o feito pela 6ª oportunidade.

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Image caption A Alemanha sofreu contra a Argélia e agora tem um clássico para chegar às semifinais

"Não temos medo de nada. É sempre possível que seja o último jogo, mas não há medo. É uma alegria enfrentar a Alemanha nas quartas de final", disse o técnico francês, Didier Deschamps.

Do lado alemão, o técnico Joachim Low garante que a gripe que atingiu cerca de um terço do elenco não deixou os jogadores exaustos. E que dois de seus meio-campistas que vieram sofrendo com lesões estão em boas condições físicas.

"Khedira está em excelentes condições após a pausa (não atuou contra os Estados Unidos) e Scheweinsteiger teve três dias para se recuperar depois do jogo contra a Argélia. Ambos estão bem."

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