Queda de viaduto pode trazer complicações a Belo Horizonte na Copa

Desabamento de viaduto em Belo Horizonte (AFP) Direito de imagem AFP
Image caption Acidente ocorreu na principal via de acesso entre o centro da cidade e o Mineirão

A queda de um viaduto em uma obra em Belo Horizonte nesta quinta-feira pode trazer complicações cinco dias antes de uma partida das semifinais da Copa do Mundo, marcada para terça-feira no Mineirão.

A obra está localizada na avenida Pedro I, na região da Pampulha, a poucos quilômetros do estádio.

A avenida é a principal via de acesso entre o centro da cidade e o Mineirão e pode fazer falta ao sistema viário da capital mineira caso ainda esteja interrompida daqui a cinco dias.

Os organizadores destacam que uma via secundária, a Avenida Cristiano Machado, deverá ser usada, assim como "rotas alternativas" por dentro do bairro da Pampulha.

Imagens de televisão mostravam, no entanto, grandes congestionamentos na Avenida Cristiano Machado logo após o acidente.

O desabamento impactou as festividades oficiais da Copa na cidade que aconteceriam nesta sexta-feira (4).

A Prefeitura de Belo Horizonte anunciou na noite desta quinta (3) o cancelamento da Fan Fest e de outros seis eventos de exibição dos jogos da Copa do Mundo.

O acidente causou a morte de ao menos duas pessoas e ao menos 22 pessoas ficaram feridas. Os esforços de resgate continuam.

Tragédia

Horas após a tragédia o prefeito Márcio Lacerda (PSB), falou à imprensa do local do acidente, na Avenida Paulo I, na região da Pampulha. Embora tenha manifestado tristeza e anunciado três dias de luto, ele disse que "acidentes como esses acontecem".

Questionado por repórteres sobre a decisão de manter o tráfego da avenida abaixo do viaduto ainda em obras, o prefeito disse tratar-se de algo "normal".

"Certamente vão descobrir algum erro de engenharia. Mas isso não é importante agora", disse o prefeito, ressaltando que a hora é de prestar solidariedade às vítimas.

O viaduto desabou sobre quatro veículos (um carro, um ônibus e dois caminhões). A motorista do ônibus e o condutor do carro morreram e os bombeiros temem que mais vítimas fatais sejam encontradas sob os escombros conforme os esforços de resgate avancem durante a noite e os próximos dias.

A obra integra um complexo viário que deveria ter ficado pronto para a Copa do Mundo, e outro viaduto, a menos de 500 metros do que desabou, chegou a ter a construção interrompida semanas atrás por oferecer riscos à população.

Irregularidades

A construtora Cowan, responsável pela obra, emitiu nota dizendo que "lamenta profundamente o ocorrido e não está medindo esforços para oferecer o apoio necessário às vítimas e aos familiares".

Além disso a empresa diz que se prontificou com os trabalhos de remoção da estrutura, "que devem se estender pelos próximos dias" e que "já está providenciando o escoramento do segundo viaduto".

Em sua conta no Twitter, a presidente Dilma Rousseff também manifestou solidariedade às vítimas.

O caso atraiu grande atenção da imprensa internacional, que relembrou as oito mortes de operários das obras para a Copa do Mundo e a partida marcada para terça-feira para as semi-finais do torneio no estádio do Mineirão.

Além dos impactos imediatos sobre a Copa do Mundo, no entanto, o acidente deve lançar mais dúvidas sobre as obras do Mundial, que segundo críticos foram afetadas pela "pressa" para serem entregues antes do início da competição.

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