Alemanha x Argentina em finais: jogão com Maradona, joguinho em Copa 'magra'

Messi, da Argentina, e Muller, da Alemanha, finalistas de domingo Direito de imagem Getty
Image caption Messi x Muller: um deles poderá comemorar o desempate entre Argentina e Alemanha em finais de Copa

Alemanha e Argentina decidem a Copa do Mundo de 2014 neste domingo, às 16h, no Maracanã, tendo duas referências extremas no que diz respeito ao encontro entre as equipes em decisões de Mundiais.

As seleções decidiram o torneio em 1986 e 1990: primeiro, na Cidade do México, fizeram um jogo bastante movimento que consagrou definitivamente o craque Diego Armando Maradona como campeão e grande nome de uma geração ao comandar a Argentina ao título na vitória por 3 a 2; depois, em Roma, protagonizaram um jogo travado, numa Copa marcada pela pior média de gols da história e que acabou com um pênalti controverso e vitória magra da Alemanha já no fim do tempo regulamentar.

A história desses dois confrontos inclusive marca uma mudança no perfil dos jogos decisivos de Copas. A partir de 1990, as partidas que decidem o campeão têm tido uma baixa média de gols (são apenas oito nas cinco últimas decisões).

"Pelo que as duas equipes apresentaram durante o campeonato, a Alemanha ganhou merecidamente. Agora, me pergunto: por que esse jogo não foi 5 a 4? Tinha de ganhar em um pênalti que a gente acha duvidoso? Imagina esse povo comemorando por todo o jogo?", disse Pelé, então comentarista da TV Globo, assim que terminou a final de 1990.

"A Argentina jogou um futebol que eu chamo de antifutebol. Porque não sai para jogar", completou Pelé.

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Image caption A Alemanha levou a Copa com menor média de gols vencendo a final por 1 a 0

De fato, a Argentina chegou à final após se classificar em terceiro lugar no grupo B, atrás de Camarões e Romênia; depois, venceu o Brasil pelo placar mínimo e passou por Iugoslávia e Itália nos pênaltis, chegando à decisão com apenas cinco gols marcados, menor número de um finalista na história.

Já a Alemanha até contribuiu para que a média de gols do Mundial não fosse ainda menor. Marcou 15 em todo o torneio, inclusive goleando Iugoslávia (4 a 1) e Emirados Árabes (5 a 1) na primeira fase. Na final, Brehme venceu Goycochea na cobrança de pênalti aos 40 do segundo tempo e garantiu o tricampeonato.

"A Argentina foi garra, luta, suor, sangue e lágrimas, por ter um time fraco que chegou pela força interior. A Alemanha foi alegria, futebol ofensivo, gols. Buscou a vitória em todas as partidas", completou o narrador da TV Globo na transmissão, Galvão Bueno, lembrando ainda que Diego Maradona, mesmo que tivesse sido competitivo como sempre, não esteve nas melhores condições físicas.

1986

Comparando com 1990, a Copa de 1986 teve indiscutivelmente mais momentos para a história dos Mundiais. No livro "Os 50 maiores jogos das Copas do Mundo", do jornalista da ESPN e Folha de S. Paulo, Paulo Vinicius Coelho, estão quatro jogos deste torneio, contra apenas dois de 90.

O mais óbvio deles é Argentina 2 x 1 Inglaterra, quando Maradona marcou num intervalo de quatro minutos dois dos gols mais conhecidos do esporte: um tocando com a mão para vencer o goleiro inglês e marcar o famoso gol "La Mano de Dios" e outro driblando meio time, desde o meio-campo, e fazendo o chamado "Gol do Século".

A Copa ainda seria marcada pela seleção da Dinamarca que encantou o mundo ao fazer 6 a 1 no Uruguai com o time que ficou conhecido como "Dinamáquina" e depois cair por 5 a 1 para a Espanha; e pelo histórico confronto, decidido nos pênaltis, entre o Brasil de Telê Santana, Sócrates e Zico e a França de Platini - a maior geração francesa até então levou a melhor.

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Image caption Em 1986, Maradona não marcou na final, mas comandou a Argentina até o título mundial

Também é lembrada pelos gols de Gary Lineker, artilheiro da Copa ao marcar seis dos sete gols da Inglaterra no Mundial; e, claro, pelas arrancadas e belos lances de Maradona, que três dias depois do jogo contra os ingleses novamente teve grande atuação contra a Bélgica na semifinal, marcando os dois gols da vitória.

A decisão no Estádio Azteca não decepcionou a torcida. Assim como a final no mesmo local em 1970, o jogo final voltou a ter mais de 100 mil torcedores e cinco gols marcados.

A Argentina abriu o placar com Brown, de cabeça, após falha do goleiro Schumacher na saída do gol. No segundo tempo, Valdano recebeu, invadiu a área, e fez o segundo. "Eu me lembro de olhar para a arquibancada dizendo para mim mesmo: 'Somos campeões do mundo'. Mas é claro, eu tinha me esquecido de um pequeno detalhe: na nossa frente estava a Alemanha, e a Alemanha nunca morre", recordou Valdano ao site da Fifa.

A Alemanha usou bem a jogada aérea e chegou ao empate em duas bolas alçadas na área, com Rummenigge e Rudi Voller - esse último já aos 36 minutos.

Pouco depois, aos 39, Burruchaga tocou na saída do goleiro para garantir o 3 a 2 e a taça para a Argentina. Maradona, que deu a assistência do gol do título, ainda arrancou com perigo, sofreu falta e quase ampliou na cobrança.

Retrospecto

Além das duas finais citadas, Alemanha e Argentina se encontraram em outras quatro oportunidades em Copas do Mundo.

Em 2010, na África do Sul, a Alemanha atropelou o time argentino e venceu por 4 a 0, avançando às semifinais. Em 2006, na mesma fase, novamente deu Alemanha, mas desta vez nos pênaltis após empate no tempo normal e na prorrogação por 1 a 1.

Antes, em 1966, Alemanha e Argentina não saíram de um empate sem gols pela fase de grupos. Já o primeiro jogo entre ambos aconteceu no torneio de 1958, com vitória alemã por 3 a 1 na primeira fase.

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