Britânico suspeito de participar da máfia dos ingressos se entrega no Rio

Raymond Whelan (AFP) Direito de imagem AFP
Image caption Acusado de participar da venda ilegal de ingressos, Raymond Whelan estava foragido havia quatro dias

O executivo Raymond Whelan, da empresa britânica Match Services, ligada à Fifa, se entregou a autoridades do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro na tarde desta segunda-feira.

Whelan é acusado de envolvimento com a quadrilha internacional que comercializava ingressos VIP da Copa do Mundo por preços muito acima do mercado.

Ele era considerado foragido após ter a prisão preventiva decretada e ter escapado, quatro dias atrás, de agentes que tentaram prendê-lo no Hotel Copacabana Palace, onde está hospedada a alta cúpula da Fifa.

Câmeras de segurança flagraram o executivo deixando o hotel por uma porta de serviço ao lado de seu advogado.

A defesa de Whelan e a Match Services (que comercializa com exclusividade ingressos VIP e pacotes de viagem que incluem entradas da Copa do Mundo) afirmaram que ele não fez nada de ilegal. Isso porque na visão da Match os ingressos poderiam ser vendidos a preços mais elevados se fizessem parte de pacotes de viagem.

Passaporte

O britânico se apresentou à desembargadora Rosita Maria de Oliveira Netto, da 6ª Câmara Criminal da capital, relatora do processo na tarde desta segunda-feira. Ele foi mantido na carceragem do tribunal e depois transferido para a Cidade da Polícia, na Zona Oeste do Rio.

Ele já havia sido preso no dia 7 de Julho com outros 11 suspeitos de envolvimento com a quadrilha. Contudo foi solto horas depois ao obter um habeas corpus sob pagamento de fiança e entregar seu passaporte para as autoridades.

Reportagens da TV Globo divulgaram escutas de ligações telefônicas entre Whelan e o franco-argelino Mohammadou Lamine Fofana (um dos cabeças da quadrilha, segundo a polícia), nas quais preços de ingressos são discutidos – o que na interpretação das autoridades trata-se de um forte indício do envolvimento do britânico no esquema.

Quando o esquema foi descoberto, os envolvidos negociavam ingressos para jogos do Brasil por até R$ 7 mil, e os preços de ingressos para a final atingiam até R$ 35 mil. Os ingressos seriam dados a ONGs ou oferecidos como cortesia a jogadores e federações.

A polícia já apreendeu ingressos, máquinas de cartão de crédito, dinheiro e computadores.

Segundo o inquérito, o grupo teria atuado em quatro Copas e poderia ter levantado até R$ 200 milhões por torneio.

Fifa

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, e o secretário-geral Jérôme Valcke falaram na manhã desta segunda-feira sobre as investigações sobre os ingressos.

Eles disseram que a entidade "luta constantemente" contra possíveis irregularidades na venda dos tíquetes, que também aconteceram em outras Copas.

"Na África nós tivemos problemas e também tivemos pessoas presas por isso. Nós na Fifa nunca vendemos ingresso com um preço diferente do que o que está impresso no papel. Mas esses ingressos estão indo para parceiros comerciais, federações, e aí o que eles fazem com os ingressos é o que nós estamos vendo, porque nossa política é de que eles não podem revender o ingresso", explicou o secretário.

"Não dá pra dizer que a Fifa não está lutando contra isso, estamos 100% empenhados", finalizou.

Notícias relacionadas