Ucrânia: Ocidente pressiona Rússia para viabilizar resgate de corpos

Crédito: Agências (AP, AFP e Reuters) Direito de imagem AP Reuters AFP
Image caption Países ocidentais querem que Moscou interceda junto a rebeldes separatistas para que acesso a local onde avião da Malaysia Airlines caiu seja liberado

O Ocidente subiu o tom neste sábado contra a Rússia e instou o governo de Moscou a interceder junto aos rebeldes separatistas da Ucrânia para liberar o acesso ao local onde o avião da Malaysia Airlines caiu.

O primeiro-ministro da Holanda, Mark Rutte, afirmou ter dito ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, que o tempo estava "se esgotando" para que ele ajudasse na operação. A maioria das vítimas era holandesa.

Já o Reino Unido convocou o enviado russo e disse que os "olhos do mundo" estavam sobre Moscou.

A movimentação de observadores internacionais vem sendo restringida por separatistas pró-Rússia, que controlam o acesso ao local do acidente.

A Ucrânia e os rebeldes trocaram acusações sobre quem derrubou o Boeing 777, que voava de Amsterdã, na Holanda, para Kuala Lumpur, na Malásia.

O voo MH17 teria sido atingido por um míssil enquanto sobrevoava uma área controlada por separatistas russos na região de Donestsk, no leste da Ucrânia, na última quinta-feira. Todas as 298 pessoas a bordo morreram.

Urgência

A lista de passageiros divulgada pela Malaysia Airlines revela que o avião carregava 193 holandeses (incluindo um com dupla-cidadania americana), 43 malaios (incluindo 15 membros da tripulação), 27 australianos, 12 indonésios, 10 britânicos (incluindo um com dupla-cidadania sul-africana), quatro alemães, quatro belgas, três filipinos, um canadense e um neozelandês.

A Ucrânia acusou os rebeldes separatistas de tentar destruir as provas de "um crime internacional".

Em entrevista a jornalistas neste sábado, o premiê holandês Mark Rutte afirmou que havia tido uma conversa telefônica "enérgica" com Putin.

"Eu lhe disse: "o tempo está se esgotando para você mostrar ao mundo que tem boas intenções"", afirmou.

Rutte acrescentou que os holandeses estão "furiosos" ao ver imagens de corpos sendo carregados ao relento e instou o presidente russo a "mostrar que ele fará o que é esperado dele e exerça a sua influência".

Insurgentes

Segundo o repórter da BBC Richard Galpin, que está no local do acidente, corpos continuam sendo removidos por equipes de resgate, mas ainda não está claro para onde estão sendo levados. Também não se sabe para quem trabalham os responsáveis pela remoção dos cadáveres: Kiev ou os rebeldes separatistas.

Mais cedo, Rutte e o primeiro-ministro britânico David Cameron conversaram por telefone e instaram a União Europeia a "reavaliar a aproximação com a Rússia" após o desastre.

O chanceler britânico Philip Hammond afirmou: "Os olhos do mundo estão voltados para a Rússia. Todos querem saber se Moscou cumprirá com suas obrigações nas próximas horas".

Investigação

A chanceler alemã, Angela Merkel, também telefonou a Putin no sábado, pedindo sua cooperação.

Na sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou que o avião foi destruído por um míssil lançado pelos rebeldes. Na ocasião, Obama disse que os insurgentes não teriam conseguido realizar o ataque sem o apoio de Moscou.

A Rússia nega qualquer envolvimento no acidente e rejeitou as acusações do Ocidente de que está alimentando o conflito na Ucrânia.

De Kuala Lumpur, o ministro dos Transportes da Malásia, Liow Tiong-Lai, expressou preocupação com o fato de que o local do acidente não foi devidamente isolado e poderia estar sujeito a adulterações.

Observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE, na sigla em inglês) estão neste momento no local do acidente.

O porta-voz da entidade, Michael Bociurkiw, afirmou que os rebeldes permitiram maior acesso aos observadores, mas disse que as movimentações do grupo continuam limitadas.

Os observadores permanecem no local à espera da chegada dos investigadores internacionais.

O governo da Ucrânia classificou o desastre como um "ato de terrorismo" e divulgou o que seriam conversas telefônicas que comprovariam que o avião foi abatido por separatistas do leste do país.

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