Netanyahu diz que ofensiva vai continuar mesmo após destruição de túneis

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Image caption Netanyahu também prometeu fazer o que for preciso para resgatar o soldado Hadar Goldin

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou neste sábado que seu país vai continuar sua ofensiva contra Gaza mesmo após serem destruídos os túneis do Hamas, que atravessa a fronteira entre os dois territórios.

Durante uma entrevista coletiva, Netanyahu afirmou que os bombardeios não vão parar até que as metas de segurança de Israel sejam alcançadas e que o grupo islâmico vai pagar um "preço intolerável" por atacar os israelenses e não deu prazo para a ofensiva terminar.

"Após completarmos nossas ações contra os túneis, vamos dar continuidade às nossas atividades, seguindo as necessidades relativas à segurança, até que alcancemos nosso objetivo de devolver a paz para os cidadãos israelenses", disse o premiê.

"Desde o começo, prometemos devolver a tranquilidade aos israelenses e vamos seguir adiante até que isso aconteça. Vamos colocar todo o esforço necessário e vamos investir o

tempo que for necessário para que isso aconteça."

Soldado

Ele também prometeu fazer o que for preciso para resgatar o soldado Hadar Goldin, de 23 anos, que desapareceu em uma emboscada do grupo militante Hamas na sexta-feira.

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Image caption Israel busca soldado que desapareceu em Gaza; Hamas diz que militar pode estar morto

Em um comunicado neste sábado, o braço militar do Hamas, as Brigadas Qassam, disse ter perdido contato com os seus militantes na zona da emboscada, levantando a suspeita de que todos, incluindo o soldado capturado, estejam mortos.

"Acreditamos que todos foram mortos pelo bombardeio (israelense). Partindo do princípio de que conseguiram capturar um soldado durante os combates, avaliamos que ele também foi morto no incidente", disse o grupo.

Em 2006, militantes capturaram o soldado israelense Gilad Shalit - que só foi libertado cinco anos depois, em novembro de 2011, em troca de mil prisioneiros palestinos.

Para Israel, o sequestro de Goldin acabou sendo o estopim para o fim do cessar-fogo que começou na sexta-feira. Já o Hamas acusa os israelenses de de quebrarem o acordo. A trégua deveria durar três dias, mas fracassou em menos de três horas.

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Image caption Palestinos inspecionam prédios destruídos em Rafah, onde bombardeios foram intensos

Desde então, ataque israelenses já mataram cerca de 200 palestinos, afirmaram neste sábado autoridades médicas em Gaza.

Só durante a madrugada a violência deixou 50 mortos, a grande maioria deles em Rafah, no sul de Gaza, onde Israel concentra suas operações para encontrar Goldin.

Negociações no Egito

As declarações de Netanyahu vieram à tona no momento em que delegações internacionais chegam à capital do Cairo, Egito, para uma rodada de negociações para alcançar um cessar-fogo permanente. Porém, há indícios de que Israel tenha enviado representantes para o encontro.

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Image caption ONU estima que um quarto da população de Gaza (que totaliza 1,7 milhão) esteja desalojada

O presidente do Egito, Abdul Fattah al-Sisi, encarregado de mediar as negociações junto com EUA, Catar, Turquia e outros interlocutores, disse que a proposta é "a única chance real de encontrar uma solução para Gaza que ponha um fim ao derramamento de sangue".

"O tempo é decisivo. Temos de tirar vantagem dele rapidamente para apagar o fogo e parar o derramamento de sangue dos palestinos", disse o líder egípcio.

Ao menos 1.655 palestinos, a maioria civis, já morreram desde o início do conflito, há mais de três semanas. Do lado israelense, 63 soldados e dois civis foram mortos. Um trabalhador tailandês também morreu em Israel.

Quase 9 mil palestinos foram feridos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza. Mais de 520 mil pessoas foram desalojadas em Gaza, mais de um quarto da população local (1,7 milhão.

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