Israel retoma ofensiva após fim de cessar-fogo

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Image caption 'Domo de Ferro', o escudo antimíssil de Israel, intercepta foguetes lançados pelo Hamas

Israel retomou nesta sexta-feira a ofensiva militar a Gaza depois que militantes do grupo palestino Hamas voltaram a lançar foguetes contra o território israelense após o fim de um cessar-fogo de 72 horas.

Cinco pessoas foram mortas em Gaza, enquanto dois israelenses ficaram feridos por morteiros.

As Forças Armadas de Israel classificaram os novos ataques do Hamas como "inaceitáveis, intoleráveis e míopes".

Mais cedo, o Hamas, que controla Faixa de Gaza, descartou qualquer extensão da trégua. O grupo palestino afirma que Israel não atendeu às suas reivindicações.

O governo israelense disse que se retirou das negociações intermediadas pelo Egito com o Hamas e outras facções palestinas no Cairo, alegando que não negocia "sob ataque".

O Egito, entretanto, pediu aos dois lados que voltem à mesa de negociações na tentativa de assegurar um cessar-fogo novo e definitivo.

Desdobramentos

A retomada da ofensiva, coordenada pelas Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês), envolveu jatos, tanques e lanchas torpedeiras. Mais de 30 alvos foram atacados.

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Image caption Pai palestino chora morte do filho de 10 anos; ele foi a primeira vítima da retomada da ofensiva israelense nesta sexta-feira
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Image caption Muitas famílias palestinas abandonaram suas casas em Gaza após o fim do cessar-fogo
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Image caption Palestinos rezam em mesquita em meio a escombros em Gaza

Um menino palestino de 10 anos foi um das primeiras vítimas, quando um míssil atingiu uma mesquita na Cidade de Gaza, informaram funcionários do Ministério da Saúde palestino em Gaza.

Outras três pessoas foram mortas na região central de Gaza enquanto um militante da Jihad Islâmica morreu na cidade de Rafah, segundo as autoridades palestinas.

As Forças de Defesa de Israel anunciaram que estavam realizando ataques a "alvos terroristas na Faixa de Gaza" em retaliação ao lançamento de foguetes por parte do Hamas.

Militantes do grupo palestino começaram a lançar foguetes de Gaza pouco depois do fim do cessar-fogo de 72 horas, que terminou às 8h locais (2h de Brasília).

Na tarde desta sexta-feira, as forças israelenses afirmaram que mais de 52 foguetes e morteiros foram lançados contra Israel, ferindo duas pessoas.

O escudo antimíssil de Israel, conhecido como 'Domo de Ferro', interceptou três foguetes, mas 38 teriam atingido o território israelense, acrescentaram as forças armadas do país.

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Image caption Israelenses tiveram de buscar abrigo após lançamento de foguetes do Hamas
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Image caption Palestinos protestam contra ofensiva israelense na cidade de Nablus, na Cisjordânia

Mediação

O confronto foi retomado depois que representantes israelenses e palestinos não aceitaram uma trégua de longo prazo durante encontros reservados na capital do Egito, Cairo.

O Hamas disse que Israel se recusa a atender às suas principais reivindicações, incluindo a suspensão do bloqueio a Gaza e a libertação de 100 prisioneiros.

Tais prisioneiros haviam sido soltos em troca da libertação do soldado israelense Gilad Shalit em 2011, mas posteriormente presos novamente.

O grupo palestino também rejeitou o pedido de Israel pela desmilitarização de Gaza. Um porta-voz avisou os militantes que o país estaria pronto para uma "longa guerra".

No entanto, o Hamas afirmou que facções palestinas queriam continuar as negociações apesar dos novos confrontos na região.

A delegação israelense deixou o Cairo na manhã desta sexta-feira.

Em entrevista à BBC, um funcionário do alto escalão do governo de Israel afirmou que o "Hamas continua atacando civis israelenses, enquanto Israel respeita integralmente o cessar-fogo e anunciou que está pronto para ampliá-lo".

Na tarde desta sexta-feira, o chanceler egípcio pediu uma retomada imediata das negociações de uma trégua de longo prazo, destacando que permanecem "apenas algumas questões pendentes".

"O Ministério das Relações Exteriores pede a todos os lados envolvidos no conflito que sejam responsáveis e retornem imediatamente ao compromisso do cessar-fogo e usem a oportunidade disponível para retomar as negociações nos poucos assuntos pendentes o mais rápido possível", informou a chancelaria egípcia por meio de um comunicado.

Desde o início da ofensiva israelense em Gaza, pelo menos 1.922 palestinos, a maioria civis, foram mortos, segundo estatísticas das Nações Unidas.

Israel diz que 64 soldados foram mortos, além de dois civis e um cidadão tailandês. O país diz que cerca de 900 palestinos mortos eram militantes.

A operação 'Margem Protetora' foi lançada no dia 8 de julho com o objetivo de impedir o lançamento de foguetes por militantes do Hamas em Gaza, além de destruir uma rede de túneis que, segundo Israel, é usada pelo Hamas para realizar ataques contra o país.

Na quinta-feira, a Anistia Internacional pediu uma investigação sobre o chamou de 'evidências crescentes' de que Israel atacou deliberadamente hospitais e profissionais da área de saúde em Gaza. O ataque deixou, pelo menos, seis médicos mortos.

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