Nos EUA, mercado preditivo pioneiro é mais preciso que pesquisas

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Image caption Universidade de Iowa, nos Estados Unidos, foi pioneira no estudo de mercados preditivos

A Universidade de Iowa, nos Estados Unidos, foi pioneira em mercados preditivos, ao criar o Iowa Electronic Markets (Mercados Eletrônicos de Iowa, ou IEM, na sigla em inglês) em 1988, ano de eleições presidenciais naquele país.

Idealizado como ferramenta de pesquisa e ensino, o IEM permite que os estudantes invistam em diferentes mercados – especialmente mercados políticos, nos quais é possível comprar ou vender "ações" de candidatos ou partidos, apostando em quem vai vencer as eleições.

"Percebemos desde o início que os resultados eram mais precisos do que os da maioria das pesquisas", disse à BBC Brasil a diretora do IEM, Joyce Berg.

Apesar do foco prioritário ser acadêmico, o IEM é aberto a participantes de todo o mundo, não só estudantes, e usa dinheiro real, com investimento mínimo de US$ 5 e máximo de US$ 500.

Berg observa que o mecanismo é diferente do das pesquisas de intenção de voto.

"Uma pesquisa precisa gerar uma amostra aleatória de pessoas que irão votar. O IEM não precisa disso, apenas de pessoas que acreditam ter informações e estão dispostas a apostar", afirma.

A diretora ressalta que o público do IEM geralmente é do sexo masculino e é mais jovem, mais rico e com maior nível de educação do que a média do eleitorado americano.

"O principal no IEM é a informação. Pessoas que acreditam na informação que têm negociam e podem ganhar dinheiro com isso. É em pequena escala, mas ainda assim é dinheiro", diz.

"Em uma pesquisa, você pode acabar expressando uma opinião mesmo se não tiver tanta certeza. Mas no mercado, você só aposta se acredita que realmente tem informações (que podem ter impacto no resultado da eleição)."

Devido à sua natureza acadêmica, o IEM conseguiu uma autorização especial do governo e não é regulado pela Commodity Futures Trading Commission (CFTC), agência que regula mercados futuros e de opção nos EUA.

Limite de gastos

"Nós mantemos o volume de investimento individual baixo, de no máximo US$ 500. Caso um investidor perca todo seu dinheiro em um ano, fica proibido de colocar mais dinheiro no mercado. Dessa maneira, tentamos manter o mercado pequeno", diz Berg.

Essas medidas evitam que o IEM seja confundido com um tipo de jogo de azar online, o que é proibido nos Estados Unidos.

"Há um aspecto de interesse público no IEM, o que não existe em jogos de azar", destaca Berg. "Temos um objetivo educacional e de pesquisa."

Para as eleições legislativas de novembro deste ano nos Estados Unidos, o IEM tem três mercados em operação: um sobre os resultados na Câmara dos Representantes (equivalente a deputados federais), outro sobre o Senado e um terceiro em que os investidores apostam em quem vai controlar as duas casas do Congresso, se democratas ou republicanos.

"É bom ressaltar que um mercado preditivo não é uma bola de cristal", salienta Berg.

Ela cita como exemplo a eleição de um novo papa, em que a informação é conhecida apenas por um grupo restrito (no caso, os cardeais que vão votar).

"Se não há informação disponível, os preços vão refletir apenas especulação, e o mercado não vai prever (o resultado) bem."

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