Brasil amanhece em choque após morte de Eduardo Campos

Acidente com avião que matou Eduardo Campos (AFP/ Getty) Direito de imagem AFP
Image caption Planalto decretou três dias de luto oficial após tragédia e candidatos unificaram mensagens de pêsames

Personalidades políticas, familiares, amigos e simpatizantes do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, morto na quarta-feira em um acidente aéreo em Santos, aguardam a chegada do corpo em Recife, onde ele será velado.

Até a manhã desta quinta-feira, porém, ainda não havia previsões sobre quando poderia ser realizado o translado.

"Uma série de procedimentos e trâmites burocráticos devem realizados em Santos antes que possamos levar o corpo para Recife", disse um assessor do Partido Socialista Brasileiro (PSB) no fim da tarde da quarta-feira.

Campos era candidato à Presidência pelo PSB e o terceiro nas pesquisas de intenção de voto para as eleições de outubro.

Sua morte em um acidente trágico causou grande comoção em todo o país e lançou uma série de dúvidas sobre a corrida eleitoral.

Reações

A presidente Dilma Rousseff, colega de ministério de Campos no primeiro governo Lula, decretou três dias de luto oficial pela morte do candidato e anunciou ter suspendido seus compromissos de campanha.

"Hoje o Brasil está de luto e sentindo uma morte que tirou a vida de um jovem político promissor", disse Dilma, em um pronunciamento.

"Sem dúvida esse é um momento de pesar, um momento de tristeza. Somos afetados pela fragilidade da vida, mas também pela força e exemplo das pessoas."

O candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, também lamentou a morte de Campos. Em discurso, disse que "hoje é um dia de imensa tristeza para todos os brasileiros e para todos aqueles que acreditam na boa política".

"Eduardo era um dos maiores representantes da boa política. Convivi mais de 20 anos com o Eduardo e tenho por ele uma admiração que não terminará com sua morte trágica. Ele fará uma falta imensa na política nacional."

Campos, de 49 anos, era casado com a economista Renata de Andrade Lima Campos, de 47 anos, e tinha cinco filhos - um deles de apenas sete meses.

O acidente que matou o candidato aconteceu na manhã de quarta-feira e suas causas estão sendo investigadas.

A caixa-preta da aeronave foi encontrada no fim da tarde e peritos foram enviados para o local do acidente para analisar os corpos e destroços.

Segundo informações da Aeronáutica, o jato que levava o ex-governador de Pernambuco ao litoral paulista saiu do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, com destino ao aeroporto de Guarujá, em São Paulo.

A aeronave levava outras seis pessoas - o fotógrafo da campanha, um cinegrafista, dois assessores e os dois pilotos – e caiu em uma área residencial quando se preparava para pousar.

Novo candidato

Sem Campos, o PSB e os partidos que fazem parte de sua coligação têm dez dias para escolher um novo candidato, de acordo com as regras da lei eleitoral.

A mais cotada é Marina Silva, vice-presidente na chapa, mas ainda não está claro se o nome será aprovado pelas lideranças do PSB.

Marina foi para Santos para acompanhar o resgate do corpo do candidato. "Essa é uma tragédia que nos impõe luto e profunda tristeza", disse a colega de chapa, visivelmente abatida.

"Durante esses dez meses de convivência aprendi a respeitá-lo, admirá-lo e a confiar em suas atitudes e ideais de vida."

Em nota, o PSB lembrou que há exatos nove anos morria Miguel Arraes, líder histórico do partido e avô de Campos.

"Perdemos Eduardo Campos quando mais o Brasil precisava de seu patriotismo, seu desprendimento, seu destemor e sua competência", diz a nota.

"Não é só Pernambuco e sua gente que perdem seu líder, não é só o PSB que perde seu líder. É o Brasil que perde um jovem e promissor estadista."

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