Em meio a crise, Samsung lança óculos de realidade virtual para smartphone

Óculos virtual / Crédito: Oculus, Samsung Direito de imagem Oculus Samsung
Image caption Samsung apresentou novo óculos virtual para ser usado com smartphone

A fabricante sul-coreana de eletroeletrônicos Samsung anunciou nesta quarta-feira o Gear VR, óculos de realidade virtual que funcionam em conjunto com outro lançamento da empresa, o Galaxy Note 4, um misto de smartphone e tablet.

A apresentação do novo produto ocorreu durante a feira de tecnologia IFA, em Berlim, na Alemanha, uma das mais importantes da Europa.

Além dos óculos, a marca também anunciou um novo smartphone que tem parte da tela curvada para um dos lados, o Galaxy Note Edge.

Segundo a Samsung, a característica oferece uma nova maneira de acessar aplicativos e alertas utilizados com frequência – algo que seria útil em momentos em que o restante da tela estiver bloqueada, por exemplo.

Os dois anúncios ocorrem em um momento de instabilidade financeira da Samsung. Em julho deste ano, a empresa registrou uma queda de 20% no lucro líquido do ano e dezenas de funcionários concordaram em abrir mão de parte do bônus voluntariamente.

A participação da companhia no mercado de smartphones também caiu – era de 32,2% entre abril e junho de 2013 e foi para 24,9% no mesmo período desse ano, de acordo com a empresa de pesquisa e consultoria IDC. A queda aconteceu apesar de a Samsung ter uma grande variedade de aparelhos à venda no mercado.

Na contramão da empresa coreana, as concorrentes que também utilizam o sistema operacional Android, Lenovo, Huawei, Xiaomi e Motorola aumentaram suas fatias de mercado.

Na feira de tecnologia, ao lançar os dois novos produtos, o diretor de marketing da Samsung disse que a empresa sul-coreana está "focada em inovar cada vez mais e mais rápido" e prometeu que "nunca vai diminuir o ritmo".

Óculos

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Image caption Produto ainda não tem data oficial de lançamento no mercado, nem preço divulgado

Os óculos de realidade virtual Gear VR são um resultado de uma aliança da Samsung com a Oculus – que pertence ao Facebook – e funciona como um ‘acessório’ para o Galaxy Note 4.

O celular, que tem características mescladas de smartphone e tablet, é encaixado no visor do óculos, que utiliza sua tela e alto-falantes para reproduzir uma realidade virtual e tridimensional. O acessório permite um ajuste focal nas lentes e tem também inúmeros sensores para detectar os movimentos da cabeça.

Segundo a Samsung, o Gear VR oferece um campo de visão de 96 graus, dando uma experiência semelhante a olhar para uma tela gigante de quatro metros a dois metros de distância.

Os óculos serão vendidos com um cartão microSD que já trará uma pequena coleção de filmes ("Vingadores 2: A era de Ultron" e "Círculo de fogo"), espetáculos (Cirque du Soleil) e clipes de músicas (Vevo) que proporcionarão uma experiência interativa ao público.

Por enquanto, o Gear VR ainda não está à venda e a Samsung não divulgou o preço do produto no mercado.

'Coisa isolada'

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Image caption Empresa também lança celular com a tela 'dobrada'

A tela curvada e independente do Galaxy Note Edge funciona como uma espécie de barra de ferramentas que pode ser controlada com um toque do polegar e permitiria o acesso a aplicativos específicos que nela se encontram sem a necessidade de manuseá-la inteiramente.

Mas um especialista do setor indicou que as novidades oferecidas pelos dois novos produtos da Samsung (Galaxy Note Edge e Gear VR) podem demorar um pouco para atingir seu pleno potencial.

"[Os óculos de realidade virtual] vão ser uma coisa isolada por enquanto, simplesmente porque até existirem excelentes aplicativos e jogos para tirar vantagem disso, esse tipo de experiência não vai conseguir atingir um grande público e se tornar popular", afirmou Ian Fogg, da consultoria IHS.

"Sobre a tela curvada, ao contrário de outros smartphones que já ofereceram esse tipo de design, como o LG Flex, o Galaxy Note Edge traz benefícios mais práticos. Mas para maximizar a utilidade dele, a Samsung precisará de parcerias com desenvolvedores para que eles possam criar aplicativos que funcionem na tela curvada", acrescentou.

"Mas a Samsung oferece esse tipo de coisa somente em um celular, então poucos desenvolvedores terão interesse em trabalhar com aplicativos que só servirão para um aparelho. A não ser que a própria Samsung pague um deles especificamente para fazer isso".

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