Rebeldes pró-Rússia e Ucrânia assinam cessar-fogo

Reunião que fechou o acordo de paz | Foto: AFP Direito de imagem AFP
Image caption Acordo de paz teria 12 pontos, não sete, como havia proposto o presidente russo Vladimir Putin

O governo ucraniano e os rebeldes pró-Rússia assinaram nesta sexta-feira um acordo de cessar-fogo, após meses de confrontos no leste ucraniano.

O acordo, que entrou em vigor às 12h (hora de Brasília) desta sexta-feira, foi fechado em uma reunião envolvendo representantes da OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa), de Kiev, da Rússia e dos rebeldes em Minsk, capital de Belarus.

Ele se segue a uma iniciativa russa propondo um plano de paz para a região, apresentado na quarta-feira.

Em uma mensagem publicada no site oficial do governo ucraniano, o presidente do país Petro Poroshenko, disse ter ordenado que as forças armadas paralisem suas atividades na região de conflito na hora determinada no acordo.

Na sua conta no Twitter, Poroshenko disse que se trata de um acordo "preliminar", sem dar mais detalhes.

O conflito no leste da Ucrânia, iniciado em abril, já deixou cerca de 2,6 mil mortos. A Rússia é acusada por países do ocidente de apoiar os rebeldes, mas nega ter envolvimento direto no conflito.

Apesar da trégua, a Otan aprovou também nesta terça-feira a criação de uma força de mobilização rápida para responder a ameaças no Leste europeu - uma medida criticada por Moscou.

Doze pontos

Na quarta, o presidente russo, Vladimir Putin, havia apresentado uma proposta de paz envolvendo sete pontos, incluindo que as tropas ucranianas e os rebeldes abandonassem operações ofensivas da região de conflito.

O plano também previa a criação de corredores humanitários, troca de prisioneiros e o monitoramento internacional da trégua.

Um representante da OSCE presente à reunião em Minsk e citado pela agência de notícias AP disse que o acordo assinado consiste de doze pontos, não sete – mas não deu mais informações.

"O cessar-fogo vai permitir que salvemos as vidas não só de civis, mas também de pessoas que pegaram em armas para defender sua terra e seus ideais", disse o líder rebelde da região de Donetsk Alexander Zakharchenko, que participou da reunião, à AP.

Por outro lado, Igor Plotnitskty, líder rebelde da região de Lugansk, disse que o cessar-fogo "não significa que nosso caminho rumo à secessão está acabado".

Nos últimos dias, os rebeldes vinham avançando pelo sudeste ucraniano rumo ao estratégico porto de Mariupol, na costa do Mar de Azov.

Otan

O acordo foi fechado no momento em que os líderes da Otan estão reunidos no País de Gales.

A força de reação rápida, recém-aprovada pela aliança, poderá ser mobilizada em um praz ode 48 horas para envio à região de fronteira entre os países-membros e a Rússia.

A criação da força vinha elevando a tensão entre a Otan com Moscou.

A chancelaria russa emitiu uma nota logo após a assinatura do cessar-fogo dizendo a retórica dos líderes da Otan e planos da organização de realizar exercícios militares conjuntos deveriam ser abandonados em prol da estabilização do leste ucraniano.

Em relação aos exercícios militares, previstos para entre 16 e 26 deste mês, a mensagem diz que eles "aumentariam a tensão, ameaçando a tentativa de progresso no processo de paz na Ucrânia, contribuindo para o agravamento da divisão da sociedade".

Em outro desdobramento, a União Europeia e os EUA indicaram que a trégua não devem impedir a adoção de novas sanções contra a Rússia, tendo como alvo os setores bancário, de energia e de defesa.

A chanceler (premiê) alemã, Angela Merkel, disse que as sanções devem incluir uma cláusula que prevê suspensão automática das medidas caso fique claro que a Rússia está colaborando com a paz na Ucrânia.

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