Plebiscito na Escócia: 51% votariam pela independência, diz pesquisa

Referendo de independência da Escócia | Crédito: PA Direito de imagem BBC World Service
Image caption Sondagem realizada a pedido do jornal britânico Sunday Times mostra liderança do SIM pela primeira vez

A menos de duas semanas para o plebiscito sobre a independência da Escócia, uma pesquisa de um jornal britânico mostrou, pela primeira vez, a liderança do 'sim'.

Segundo o levantamento, realizado pelo instituto YouGov a pedido do diário Sunday Times, 51% dos entrevistados devem votar a favor do desmembramento do país do Reino Unido enquanto 49% são contra a independência. Foram ouvidas 1.084 pessoas.

A vice-primeira-ministra escocesa Nicola Sturgeon classificou o resultado como "um divisor de águas" e afirmou que apoio à independência está crescendo especialmente entre eleitores do Partido Trabalhista e mulheres.

"A Escócia é um dos países mais ricos do mundo", disse ela, que defende a independência.

"Mais e mais pessoas estão começando a perceber que o 'sim' é a única oportunidade da Escócia para fazer com que essa imensa riqueza possa ser dividida entre todos os que vivem aqui, crie mais empregos e proteja serviços vitais como o NHS dos efeitos danosos da privatização de Westminster", acrescentou.

A apenas 12 dias do plebiscito que decidirá o futuro do país, uma fonte do alto escalão do governo britânico ouvida pela BBC afirmou que o premiê do país, David Cameron, fará "todo o esforço possível" para manter a Escócia dentro do Reino Unido.

Segundo a fonte, Cameron acredita que "apenas uma única pesquisa importa", em alusão ao plebiscito.

Vitória do Não

Uma outra pesquisa, feita para a campanha do Sim Escócia, no entanto, mostra os defensores do 'não' quatro pontos à frente do SIM- 52% a 48%- quando eleitores indecisos são excluídos.

O Pollsters Panelbase entrevistou eleitores entre os dias 2 e 6 de setembro.

O professor de política da Universidade Strathclyde John Curtice afirma que, há quatro semanas, o YouGov informava que o NÃO estava 22 pontos a frente. Desde então, três pesquisas mostraram crescimento contínuo do 'sim', que ganhou 12 pontos de intenções de votos.

Em contrapartida, afirma, o Panelbase, que era até aqui o instituto mais entusiasta do SIM, mostrou a campanha pela permanência da Escócia no Reino Unido com 48% pela primeira vez em junho, e fez a mesma coisa há três semanas. Ou seja, o instituto não detectou crescimento nas tendências do SIM.

Dessa forma, de acordo com ele, está claro que a disputa está apertada - mas, até que outro instituto de pesquisa confirme o crescimento do 'sim', fica difícil saber o quão significativo foi o avanço da campanha.

Argumentos

Entre os cinco milhões de escoceses, os que argumentam pela independência dizem que a economia, as políticas sociais e a criatividade escocesas floresceriam se o país tivesse mais autonomia.

Para o campo oposto, a Escócia está mais segura fazendo parte do Reino Unido. Muitos se contentariam com mais autonomia financeira e legal para o Parlamento escocês - o Legislativo com maior grau de "poderes devolvidos" por Westminster à população local de Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales.

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