Pobreza ronda maioria dos trabalhadores de países emergentes, diz estudo

Pescadores na Índia (Thinkstock) Direito de imagem Thinkstock
Image caption Relatório destaca uma 'grave penúria de empregos de qualidade'

Mais da metade dos trabalhadores nos países emergentes do G20 está perto da linha pobreza, segundo um estudo conjunto realizado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Organização para a Cooperação Econômica (OCDE) e o Banco Mundial, divulgado nesta terça-feira.

Segundo o relatório Mercados de Trabalho do G20: perspectivas, principais desafios e respostas políticas, cerca de 837 milhões de trabalhadores nas economias emergentes do G20 "são pobres" e ganharam somente até US$ 4 por dia (cerca de R$ 9 na cotação atual) em 2013.

Desse total, estima-se que 447 milhões de trabalhadores nos países emergentes do G20 sejam "extremamente" pobres (renda inferior à linha da pobreza, que é de US$ 1,25 por dia) ou "moderadamente" pobres, com ganhos de até US$ 2 diários.

Os com salários de US$ 2 a US$ 4 são considerados "próximos à pobreza".

O G20 reúne as principais economias ricas e emergentes, além da União Europeia, e representa 80% do comércio mundial.

Os dados em relação à pobreza dos trabalhadores nos emergentes do G20 incluem números do Brasil, China, Rússia, Índia, África do Sul (que formam os Brics), além da Argentina, Indonésia, México, Arábia Saudita e Turquia.

O estudo foi divulgado na véspera da reunião de ministros do Trabalho do G20, que será realizada em Melbourne, na Austrália, nos dias 10 e 11.

O documento ressalta que os emergentes do G20 fizeram "progressos enormes" na redução da pobreza extrema (abaixo de U$ 1,25) e moderada dos trabalhadores.

Nesses países, o número de pessoas que ganham até US$ 2 diários foi reduzido pela metade desde 1991, totalizando atualmente 447 milhões.

"Mas a pobreza dos trabalhadores ainda permanece um grande desafio para esses países", afirma o estudo.

Penúria de empregos

O relatório também destaca que "uma grave penúria de empregos de qualidade" perdura nos países do G20 e que isso afeta as perspectivas de retomada do crescimento econômico.

Mais de 100 milhões de pessoas continuam desempregadas nos países do G20.

"A performance medíocre do mercado de trabalho ameaça a retomada do crescimento, porque freia o consumo e o investimento", ressaltam as organizações internacionais. "O G20 está confrontado a uma fraqueza persistente do emprego tanto em quantidade quanto em qualidade."

O relatório ressalta que, apesar de alguns avanços recentes, a demora na retomada do crescimento após a crise financeira mundial, iniciada em 2008, significa que muitas economias do G20 ainda "sofrem de um déficit considerável na criação de empregos".

"Isso deverá se estender até 2018 se não houver uma certa expansão do crescimento", preveem as organizações.

Salários

O documento afirma ainda que o crescimento dos salários ficou abaixo dos aumentos de produtividade na maior parte dos países do G20. Esse fenômeno é mais acentuado nas economias ricas.

Os salários reais (descontada a inflação) estagnaram ou até mesmo caíram em várias economias avançadas do G20, segundo o relatório.

Os emergentes do G20 enfrentam outro problema: os altos índices de subemprego e de trabalho informal, sem registro, que "pesam na produção e na produtividade futura".

"O emprego informal continua sendo um grande obstáculo para a melhoria da qualidade do emprego, particularmente nos países emergentes e em desenvolvimento".

A OIT, a OCDE e o Banco Mundial recomendam, para pôr fim ao ciclo atual de crescimento econômico baixo e fraca criação de empregos, a intervenção dos governos na demanda e na oferta de empregos.

"Essas políticas seriam mais eficazes se fossem tomadas coletivamente pelo G20", diz o relatório.

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