Fetichista sai às ruas com roupa de látex para gerar debate e colher doações

Gimp Man (BBC)
Image caption Para cada foto dele postada por outras pessoas em sua página no Facebook, o "Gimp Man" doa uma libra para uma ONG local

Ao andar pelas ruas do condado de Essex, no sudeste da Inglaterra, vestido com uma roupa de látex, um britânico atrai o olhar e os flashes das câmeras de curiosos.

Ele já foi até chamado de maluco e pervertido por alguns. Mas tanta excentricidade tem propósitos nobres: angariar fundos para uma ONG e provocar uma discussão a respeito de estereótipos.

Conhecido como o "Gimp Man de Essex" - "gimp" é o termo pelo qual são conhecidos os fetichistas que usam roupas de corpo inteiro de látex -, ele doa uma libra (em torno de R$ 3,90) à organização Colchester Mind sempre que alguém posta uma foto com ele em sua página de Facebook, que já conta com mais de 2 mil seguidores.

O Gimp Man afirma que a maior parte das pessoas que encontra nas ruas é amigável, mas que há outros que o julgam "um pedófilo ou um pervertido".

Um traje "gimp" costuma ser feito de PVC, couro ou látex. É usado por adeptos de práticas sadomasoquistas, como a do bondage, na qual a fonte do prazer consiste em ser amarrado ou imobilizado, ou ainda de outras técnicas de submissão, dominação e humilhação.

"Quando comecei a sair com minha roupa, alguém sugeriu que eu poderia transformar isso em uma atividade beneficente, sair por aí fazendo o bem", afirma o fetichista, que prefere permanecer anônimo e cuja mulher e filha desconhecem sua vida paralela.

"Alguns dizem que sou uma lenda, mas apenas doo algumas centenas de libras e saio por aí feito um tolo", comenta o misterioso homem da roupa de látex.

Doações

Image caption O Gimp Man prefere se manter anônimo; Sua mulher e filha não sabem que ele faz esse tipo de ação

James McQuiggan, o executivo-sênior da ONG Colchester Mind, diz que a entidade beneficente é grata pelo apoio e as doações do Gimp Man.

A entidade presta auxílio a pessoas na região de Essex que sofrem de condições associadas à saúde mental e busca reduzir o estigma sofrido por elas.

De acordo com o fetichista, que começou a fazer este tipo de ação em 2013, a maior parte das pessoas com quem ele interage nas ruas reage de forma positiva quando ele explica quais são seus objetivos.

"Não saio por aí para apavorar os outros. Já fui chamado de maluco, mas não reajo a comentários assim."

Alguns usuários de mídias sociais já questionaram sua autenticidade e seus motivos. O Gimp Man diz não ter "motivos escusos", mas querer "despertar um debate" entre aqueles que encontra.

"Sou adulto o suficiente para saber que as pessoas atentam para o negativo em tudo. Mas as pessoas têm a cabeça mais aberta hoje em dia. No final das contas, você pode dar uma caminhada pela praia e vai ver muito mais coisas do que eu estou expondo."

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