Tribunal espanhol suspende plebiscito de independência da Catalunha

Protesto pela independência da Catalunha (AFP) Direito de imagem AFP
Image caption Com a crise econômica na Espanha, cresceu o movimento pela independência da Catalunha

O Tribunal Constitucional da Espanha suspendeu o referendo sobre a independência da comunidade autônoma da Catalunha, no nordeste do país.

A corte disse que é necessário primeiro analisar os argumentos de que a votação prevista para 9 de novembro teria violado a Constituição espanhola.

O pedido de análise foi feito pelo governo central em Madri.

O governo da Catalunha, uma das regiões mais ricas do país, assinou no último sábado um decreto que ordena a realização do referendo.

Mas o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, disse a repórteres que a votação não é "compatível com a Constituição" do país.

"Ninguém terá permissão para dividir a Espanha", disse ele em pronunciamento na televisão depois de uma reunião de emergência de seu gabinete.

Protesto

Centenas de milhares de catalães participaram de um protesto em Barcelona recentemente, exigindo direito de votar sobre a questão.

Diante da recusa do governo em dar mais autonomia à região, os protestos ganharam força depois do referendo de independência realizado na Escócia, em que a separação do Reino Unido foi recusada por 55% dos eleitores.

Muitos manifestantes espanhóis também traziam bandeiras escocesas.

Com 7,5 milhões de habitantes, a Catalunha responde por aproximadamente 16% da população da Espanha e é uma das regiões mais ricas e industrializadas do país.

Também é onde existe um forte apelo pela independência entre os habitantes. Com o aprofundamento da crise econômica espanhola, este sentimento tornou-se ainda mais forte.

Horas depois de o líder catalão Artur Mas ter assinado o decreto no último sábado, dezenas de milhares de pessoas foram às ruas durante uma celebração anual realizada em Barcelona protestando pelo direito de realizar o referendo.

"La Diada", como é conhecido o aniversário do fim do cerco a Barcelona durante a guerra de secessão espanhola no século 18, tornou-se uma exibição de força do movimento pela independência.

'Consulta'

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Image caption O premiê Mariano Rajoy defende que o referendo depende de aprovação do seu governo

Em 19 de setembro, o Parlamento regional da Catalunha aprovou, por 106 votos a 28, a realização do referendo pela independência, conhecido localmente como "consulta".

Artur Mas, que foi reeleito em dezembro de 2012, diz que pode usar leis locais para realizar a votação, apesar de o governo central dizer que precisa dar sua permissão para tal.

"Não posso fingir que será fácil, mas não basta protestar uma vez por ano", disse ele na televisão catalã no último final de semana. "O futuro é algo que se conquista. Não é algo que recebemos de presente. Devemos conquistá-lo."

Mas só passou a apoiar a independência total recentemente. Desde 2007, ele tornou-se líder do movimento que busca revitalizar o nacionalismo catalão, conhecido como Refundação do Catalanismo.

Uma pesquisa do jornal espanhol El País mostrou que 45% dos catalães são a favor de cancelar o referendo se o tribunal constitucional o declarar ilegal.

Só 23% querem que ele siga em frente de qualquer maneira.

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