Mãe de brasileiro jihadista perde controle e é retirada de tribunal

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Image caption Rosana Rodrigues chora do lado de fora do tribunal que julga Brian de Mulder à revelia

A brasileira Rosana Rodrigues, mãe do combatente belga Brian de Mulder, que desde janeiro de 2013 luta na Síria junto ao grupo autodenominado Estado Islâmico, acusou o líder da organização islamista Sharia4Belgium de ter destruído a vida de sua família ao final do primeiro dia do julgamento do grupo por recrutamento de combatentes estrangeiros, na segunda-feira.

"Você arruinou nossas vidas", gritou Rosana, muito alterada, em direção a Fouad Belkacem, antes de ser retirada da sala de audiência pela polícia.

"Tudo o que desejo para o senhor Belkacem é que ele vá para o inferno. Se acontecer alguma coisa com Brian, vou perseguir ele (Belkacem) até a morte", disse à imprensa do lado de fora do Palácio de Justiça da Antuérpia, onde acontece o julgamento.

O homem não compareceu ao tribunal na terça-feira, segundo dia do julgamento.

As audiências serão reiniciadas no dia 8 de outubro com as argumentações de defesa. As sentenças serão pronunciadas no mesmo dia.

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'Pai espiritual'

Image caption Filho de Rosana se uniu a grupo terrorista

Belkacem, 32 anos, de nacionalidade belgo-marroquina, é o principal acusado no que está sendo chamado de "o megaprocesso do jihad" e pode ser condenado a até 15 anos de prisão.

A lista de acusados inclui 46 nomes, entre eles De Mulder, para quem o Ministério Público pede cinco anos de prisão por participação em atividades de uma organização terrorista e por publicar ameaças de ataques terroristas à Bélgica, ao ministro da Defesa, Pieter De Crem, e ao líder político holandês Geert Wilders.

A maioria dos acusados, como De Mulder, está sendo julgada em sua ausência, já que continuam na Síria ou faleceram.

Em entrevista à BBC Brasil, Rosana disse acreditar que o filho será inocentado e afirmou que "não há nenhuma prova contra ele".

Para o Ministério Público, Belkacem era o "líder incontestável" da Sharia4Belgium e o responsável pelo recrutamento e doutrinamento religioso e ideológico de novos membros, os conduzindo à jihad na Síria.

Esse papel foi confirmado por alguns dos acusados presentes no processo, jovens que estiveram na Síria combatendo junto ao Estado Islâmico ou à Frente Al Nusra, uma facção da Al Qaeda.

Jejoen Bontinck, 19 anos, que voltou à Bélgica no ano passado, depois de oito meses lutando ao lado dos extremistas na Síria, assegurou ao tribunal que a influência de Belkacem foi decisiva para ele ir à guerra.

"Ela era meu pai espiritual. Suas lições agiam como uma seringa. Estava completamente absorvido pela organização e suas idéias. Nunca teria partido à Síria sem isso", disse.

Uma testemunha que pediu anonimato, pai de três jovens que também se uniram ao combate ao lado dos extremistas, afirmou que seus filhos sofreram uma "lavagem cerebral" por parte da Sharia4Belgium.

Recrutamento

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Image caption Jejoen Bontinck, membro do Sharia4Belgium e um dos acusados, chega ao tribunal na Antuérpia

A organização, que prega a instauração da lei islâmica na Bélgica, foi fundada em 2010 por Belkacem e dissolvida oficialmente dois anos mais tarde por pressão da Polícia, mas mantém até hoje atividades na internet.

As autoridades locais a consideram como principal fileira de recrutamento de combatentes belgas para a Síria.

Segundo o Ministério Público, as atividades do grupo consistem na difusão de ideologia através de Internet e redes sociais, recrutamento e doutrinamento de jovens e treinamentos físicos para cometer ações violentas e participar da luta armada na Síria.

Seus membros eram convocados a cinco "sessões ideológicas ou físicas" por semana, e quem faltasse era submetido a sanções, que não foram especificadas.

Em entrevista concedida à BBC Brasil em julho de 2013, Rosana Rodrigues contou que mudou de cidade para tentar impedir o filho de frequentar essas reuniões, mas outros membros da Sharia4Belgium iam buscá-lo em casa.

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