Libéria quer processar homem com ebola nos EUA 'por mentir'

Médicos em contato com pacientes com ebola (Getty) Direito de imagem Getty
Image caption Epidemia já matou mais de 3,3 mil no oeste da África

Autoridades da Libéria afirmaram nesta quinta-feira que vão processar judicialmente o homem diagnosticado com ebola nos Estados Unidos, acusando-o de ter mentido em relação ao contato que ele teve com um parente infectado pela doença.

Quando deixou a Libéria, em 19 de setembro, o liberiano Thomas Eric Duncan preencheu um questionário dizendo que nenhum de seus parentes estava doente. Mas um representante do Ministério da Saúde do país relatou que Duncan teria sido visto acompanhando uma pessoa próxima a uma clínica médica. Ela depois morreu de ebola.

Atualmente, Duncan está sendo tratado em um hospital em Dallas, nos EUA.

Ele é o primeiro caso de ebola diagnosticado em solo americano, onde ao menos cem pessoas estão sendo examinadas por supostamente terem sido expostas à doença.

Quatro de seus parentes foram colocados em quarentena por autoridades de saúde do Texas, e cerca 18 pessoas que tiveram contato com Duncan estão sendo monitoradas (bem como pessoas que tiveram contato com essas 18).

Os médicos também ordenaram que Duncan fique isolado, como medida preventiva.

'Rápida recuperação'

Mais de 3,3 mil pessoas já morreram por conta da atual epidemia de ebola em países no oeste da África.

"Desejamos (a Duncan) uma recuperação rápida e esperamos seu retorno à Libéria" para responder à Justiça, disse Binyah Kesselly, presidente da Autoridade Aeroportuária do país africano, em coletiva semanal a respeito da epidemia.

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Image caption Duncan está isolado (no apartamento acima), e pessoas próximas a ele estão sendo monitoradas

Kesselly declarou à BBC que Duncan respondeu "não" a todas as perguntas do questionário preenchido por viajantes na Libéria - incluindo uma que pergunta se os viajantes têm algum parente contaminado com o vírus do ebola.

O vice-ministro de Informação, Isaac Jackson, confirmou que Duncan será processado por "ter mentido sob juramento a respeito de seu status (relacionado ao) ebola".

O Ministério da Saúde liberiano afirmou estar investigando os passos de Duncan antes de ele ter embarcado aos EUA.