PT ganha em Minas, mas pulverização marca eleições para estados

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Image caption Candidatura de Fernando Pimentel rendeu uma das principais vitórias ao PT

A eleição de Fernando Pimentel ao governo de Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, é uma das principais vitórias do PT nos pleitos para governador.

Mas, levando-se em conta os 13 Estados em que houve vitória em primeiro turno e os 13 (mais Distrito Federal) em que a disputa será decidida em 26 de outubro, foi mantida a pulverização partidária no voto estadual.

O PT havia conquistado cinco governos em 2010. Neste domingo, manteve-se vitorioso na Bahia, em Minas e no Piauí, além de estar no segundo turno em dois Estados contra o PSDB e em outros dois contra seu principal aliado no âmbito federal, o PMDB.

E o PMDB, que também havia vencido em cinco Estados em 2010, venceu agora em quatro Estados menores, sendo que, em um deles (Espírito Santo), não apoiava a candidatura de Dilma Rousseff à reeleição.

Mas o partido é o mais presente em disputas de segundo turno (oito no total, ver quadro), com destaque para o Rio de Janeiro, que, se confirmada a vantagem de Luiz Fernando Pezão, seguirá sendo seu principal colégio eleitoral.

Dois dos segundos turnos do PMDB serão disputados contra o próprio PT e em colégios eleitorais importantes (Rio Grande do Sul e Ceará).

O PSDB manteve o poder em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, e conseguiu a reeleição também no Paraná. Mas o partido teria de vencer todas as disputas de segundo turno para alcançar a marca de oito governos que obteve em 2010.

O PSB, de Marina Silva, que elegera seis governadores em 2010 – quando era um dos principais aliados do PT -, agora elegeu só um, justamente em Pernambuco, com a votação mais expressiva do Brasil e aproveitando o forte capital político de Eduardo Campos (morto em agosto) no Estado. Paulo Câmara teve 68,08% dos votos em Pernambuco, percentual não atingido em nenhum outro Estado.

O PSB também disputa quatro segundos turnos, com destaque para o Distrito Federal, onde Rodrigo Rollemberg é o favorito.

Os partidos da base aliada de Dilma no Congresso ganharam dez Estados, mas três deles com candidatos que não apoiavam a candidatura da presidente. O governo ganhou sete eleições nos Estados, mas foi derrotado em seis dos que terminaram no primeiro turno.

Um caso curioso é o do Maranhão. O Estado foi vencido em primeiro turno pelo PCdoB, tradicional aliado petista, mas o PT apoiava a candidatura de Lobão Filho (PMDB).

A seguir, como ficou a disputa, Estado a Estado:

Sul:

No Paraná, Beto Richa (PSDB) foi reeleito com 55,6% dos votos. O senador do Estado será Alvaro Dias (PSDB), com 77% (foi o senador mais votado do país proporcionalmente).

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Image caption Beto Richa (esq) venceu Requião no primeiro turno e foi reeleito

No Rio Grande do Sul, haverá segundo turno entre José Ivo Sartori (PMDB, 40%) e Tarso Genro (PT, 32,5%). O senador eleito pelo Estado é Lasier Martins (PDT, 37,45%), que derrotou o petista Olívio Dutra.

Em Santa Catarina, Raimundo Colombo (PSD) foi reeleito em primeiro turno com 51,3%. O senador eleito pelo Estado é Dário Berger, do PMDB.

Sudeste:

Em São Paulo, Geraldo Alckmin foi reeleito com 57,3% dos votos. José Serra (PSDB) teve 58,4% dos votos será o senador do Estado, desbancando Eduardo Suplicy (PT), que ocupou a cadeira por 24 anos.

Minas Gerais elegeu Fernando Pimentel (PT) em primeiro turno, com 53% dos votos. O senador do Estado será o ex-governador Antonio Anastasia (PSDB).

O Rio de Janeiro terá segundo turno entre o atual governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), com 40,5%, e Marcelo Crivella (PRB), com 20,26%. Anthony Garotinho, que chegou a liderar as pesquisas, acabou com 19,7% dos votos e ficou fora do segundo turno. O senador do Estado será o deputado Romário (PSB), que teve 63,4% dos votos.

No Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB) venceu em primeiro turno, com 53,4%. A senadora eleita pelo Estado é Rose de Freitas (PMDB).

Centro-Oeste:

Mato Grosso elegeu Pedro Taques (PDT) em primeiro turno, com 57,25%. O senador do Estado será Wellington Fagundes (PR).

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Image caption Agnelo (centro) está fora da disputa no DF, que será decidida entre Rollemberg (esq) e e Frejat

Mato Grosso do Sul terá segundo turno entre Delcídio Amaral (PT), com 42,9%, e Reinaldo Azambuja (PSDB), com 39%. A senadora eleita pelo Estado é Simone Tebet (PMDB).

No Distrito Federal, o governador Agnelo Queiroz (PT) ficará fora do segundo turno. Rodrigo Rollemberg (PSB), com 45,2% dos votos, vai enfrentar Jofran Frejat (PR), com 28%, em 26 de outubro. Agnelo ficou em terceiro, com apenas 20% dos votos. O senador Reguffe (PDT) foi reeleito.

Em Goiás, o segundo turno será entre Marconi Perillo (PSDB), com 45,8%, e Iris Rezende (PMDB), com 28,4%. O senador eleito pelo Estado é Ronaldo Caiado (DEM).

Nordeste:

Em Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), herdeiro de Eduardo Campos, venceu em primeiro turno com a votação mais expressiva do país: 68,1%. O senador eleito pelo Estado é Fernando Bezerra Coelho (PSB). O Estado foi o único, além do Acre, em que Marina Silva acabou na primeira colocação na votação para presidência.

O Ceará terá segundo turno entre Camilo Santana (PT, com apoio da família Gomes), com 47,7% dos votos, e Eunício Oliveira (PMDB), com 46,4%. O senador eleito pelo Estado é Tasso Jereissati (PSDB), que teve 57,9% dos votos e volta a ocupar uma cadeira.

No Maranhão, Flavio Dino (PCdoB) venceu no primeiro turno com 63,5% votos. O senador eleito pelo Estado é Roberto Rocha (PSB). Ambos derrotaram candidatos apoiados pelo clã da família Sarney.

Em Sergipe, Jackson Barreto (PMDB) venceu em primeiro turno com 53,5%. Maria do Carmo (DEM) é a senadora eleita pelo Estado.

No Piauí, Wellington Dias (PT) foi eleito em primeiro turno com 63,1%. Elmano (PTB) foi o senador eleito pelo Estado. O Piauí foi o Estado em que Dilma Rousseff recebeu a maior votação proporcional no país (70,61%).

No Rio Grande do Norte, haverá segundo turno entre Henrique Alves (PMDB), com 47,3%, e Robinson Faria (PSD), com 42%. A petista Fátima é a senadora eleita pelo Estado.

Na Paraíba, Cassio Cunha Lima (PSDB), com 47,4%, disputará o segundo turno com Ricardo Coutinho (PSB), com 46%. José Maranhão (PMDB) foi eleito senador pelo Estado.

Em Alagoas, Renan Filho (PMDB), que é filho do senador Renan Calheiros, venceu em primeiro turno para o governo com 52,1% dos votos. O ex-presidente Fernando Collor se reelegeu senador pelo Estado, derrotando Heloisa Helena.

Na Bahia, o petista Rui Costa, que apareceu atrás nas pesquisas durante toda a campanha, levou em primeiro turno, com 54,5% dos votos. O senador eleito pelo Estado é Otto Alencar (PSD).

Norte:

No Amazonas, haverá segundo turno entre Eduardo Braga (PMDB), com 43,15%, e José Melo (PROS), com 43,05%. O senador eleito pelo Estado é Omar Aziz (PSD).

No Tocantins, Marcelo Miranda (PMDB) venceu em primeiro turno, com 51,3%. Katia Abreu (PMDB) foi reeleita senadora, com a margem mais apertada do país - ela teve 41,64% dos votos, contra 40,77% de Eduardo Gomes (SD).

Em Rondônia, haverá segundo turno entre Confúcio Moura (PMDB), com 35,8%, e Expedito Junior (PSDB), com 35,4%. O senador eleito pelo Estado é Acir Gurgacz (PDT).

Em Roraima, Suely Campos (PP), esposa de Neudo Campos, que foi barrado pela Lei da Ficha Limpa, teve a candidatura homologada na quinta-feira e acabou na primeira colocação, com 38,5% dos votos. Ela vai disputar o segundo turno com Chico Rodrigues (PSB), que teve 34,9%. Telmário Mota (PDT) é o senador eleito pelo Estado.

No Pará, haverá uma apertada disputa de segundo turno entre Helder Barbalho (PMDB), que acabou com 49,8% e quase ganhou logo no primeiro turno, e o atual governador Simão Jatene (PSDB), que teve 48,4%. O senador eleito foi Paulo Rocha (PT).

No Acre, o petista Tião Viana, com 49,7%, vai para o segundo turno contra Márcio Bittar (PSDB), com 30,1%. O senador eleito pelo Estado é Gladson Cameli (PP).

No Amapá, Waldez (PDT), com 42,1%, disputará o segundo turno com Camilo Capiberipe (PSB), que teve 27,5%. O senador eleito pelo Estado é Davi Alcolumbre (DEM).