Imprensa estrangeira destaca campanha 'volátil' e 'hipnótica'

Dilma Rousseff e Aécio Neves (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) se enfrentarão em segundo turno, em eleição vista como imprevisível pela imprensa internacional

"Volátil", "surpreendente" e "imprevisível" são alguns dos adjetivos usados pela imprensa estrangeira para descrever o primeiro turno da eleições presidenciais.

Os sites dos jornais que circulam nesta segunda-feira destacam a distância entre o candidato tucano, Aécio Neves, e a pessebista Marina Silva – 33%,5 a 21,3% –, que garantiu a ele o direito de disputar o segundo turno com a presidente Dilma Rousseff (PT).

O americano Washington Post considerou como "sólida" e "convincente" a vitória da incumbente com 41,6% dos votos. Por outro lado, o espanhol El País disse que Aécio conseguiu transformar sua imagem de "playboy" para se consolidar como alternativa a doze anos de governo petista.

Já o britânico The Guardian considerou a volta à polarização PT-PSDB uma "surpresa", pouco mais de um ano após protestos de rua "que evidenciaram os altos níveis de frustração" entre os brasileiros.

"O resultado tradicional foi uma relativa surpresa em uma campanha cheia de reviravoltas", considerou o diário.

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Para o diário espanhol, no primeiro turno do processo eleitoral os brasileiros escolheram, antes, quem seria "o primeiro perdedor" – Marina Silva, a "grande derrotada" da primeira rodada.

"Esta autêntica montanha-russa de pesquisas que sobem e descem são, simplesmente, o reflexo de uma campanha imprevisível e hipnótica, marcada por um acidente aéreo que revolucionou tudo", disse o jornal.

"Neste primeiro turno, os brasileiros decidiram, sobretudo, quem é o primeiro perdedor."

O argentino La Nación prevê no segundo turno uma campanha "ainda mais imprevisível". Uma reportagem no diário do país vizinho afirma que os ventos sopraram "a favor" de Aécio no primeiro turno, mas terá o "desafio" de integrar Marina e o PSB à campanha contra o governo.

"Neves tem a seu favor que a ecologista saiu machucada pela feroz campanha de desconstrução que o PT lançou contra ela", afirma o texto. "Não é que ela se sinta muito cômoda com Neves, mas, felizmente, para o senador, a decisão não correrá só por conta dela, e sim por toda a cúpula socialista".

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Os dois principais jornais financeiros, o britânico Financial Times e o americano Wall Street Journal, não deixaram de destacar o perfil pró-mercado do candidato mineiro.

Para o WSJ, a eleição apertada "reflete a incerteza acerca dos caminhos desta nação rica em recursos tendo de lidar com um enfraquecimento do boom das commodities".

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