Família Sarney é desbancada no MA; filhos de políticos triunfam em AL e PA

Renan Calheiros e José Sarney / Crédito: Agência Brasil Direito de imagem Ag Brasil
Image caption A família Sarney acabou derrotada no Maranhão; já Renan Calheiros elegeu seu filho em Alagoas

O povo maranhense que foi às urnas neste domingo acabou com uma oligarquia tradicional do estado. A família Sarney, que apoiava o candidato Lobão Filho (PMDB), foi derrotada no pleito logo no primeiro turno pelo candidato do PCdoB, Flávio Dino.

Dino teve 63% dos votos válidos, enquanto o filho de Edison Lobão, atual ministro das Minas e Energia, somou 34%. O novo governador maranhense substituirá justamente a última herdeira dos Sarney no cargo, Roseana (PMDB), que estava em seu terceiro mandato no Executivo estadual – antes de assumir em 2010, a peemedebista havia governado o Maranhão de 1995 a 2002.

A própria Roseana Sarney admitiu ironicamente o fim da oligarquia da família no estado. "Apesar de tudo, de as pessoas me acusarem, agora vão ter uma coisa boa, vai sair de pauta a oligarquia, né? Vamos ver o que vai entrar em pauta agora", afirmou. "Sair do governo foi uma opção minha. Deixarei um Estado melhor do que peguei."

"Hoje viramos a página do nosso estado. Finalmente entramos no século 21. Derrotamos para sempre o coronelismo e o regime oligárquico maranhense. Vamos viver um tempo democrático e republicano", disse Flávio Dino, que chegou a chorar na coletiva de imprensa após a vitória.

No Senado, nova derrota para os Sarney. Roberto Rocha (PSB), com 51% dos votos, ficou com o cargo e derrotou Gastão Vieira (PMDB) – que teve 44% -, candidato apoiado por Roseana e sua família.

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Image caption Flávio Dino desbancou os Sarney no governo do Maranhão

Manutenção de poder

Se no Maranhão o 'clã' dos Sarney acabou derrotado, outros estados apostaram na continuidade de suas tradicionais oligarquias, como Alagoas e Pará.

Em Alagoas, por exemplo, o ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTB) – que sofreu impeachment em 1992 – foi reeleito senador pelo estado com 55% dos votos, derrotando Heloísa Helena (PSOL), que teve 33%. Collor já havia sido governador do estado em 1987, antes de se candidatar à presidência, e assumiu o cargo de representante de Alagoas no Senado pela primeira vez em 2007 – agora conseguindo a reeleição.

"Emoção enorme carregada de agradecimento para quem confiou seu voto ao meu nome para representar Alagoas no Senado. Podem esperar muito trabalho, muita dedicação, esforço e vontade de tentar resolver os problemas do estado, tirando Alagoas da posição difícil que se encontra, alcançando patamares de desenvolvimento econômico que desejamos", afirmou o senador reeleito à imprensa.

No governo do mesmo estado, a eleição também apontou a continuidade de outra família tradicional da região, a dos Calheiros. Renan Filho (PMDB), que é herdeiro de Renan Calheiros, atual presidente do Senado, recebeu 52% dos votos e foi eleito governador no primeiro turno.

Outro grupo que pode se manter no poder é o da família de Jader Barbalho (PMDB) no Pará. O filho dele, Helder Barbalho (PMDB), teve 49,88% dos votos e por muito pouco não foi eleito governador no primeiro turno. Ele agora vai disputar o segundo turno com Simão Jatene (PSDB), atual governador, que teve 48,48% dos votos. Jader Barbalho já cumpriu dois mandatos de governador no Pará – em 1983 e 1991 – e agora pode eleger seu filho para o cargo.

"O povo do Pará nas ruas mostrando que deseja a mudança, e a mudança se Deus quiser hoje estará acontecendo no estado do Pará. Nós vamos fazer um governo diferente, um governo presente, e eu convoco a todos nesta grande vitória", disse Helder Barbalho.