Suspeito de ebola está sem febre e estável; Brasil amplia ajuda à África

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Image caption Ministro da Saúde, Arthur Chioro, afirmou que 'tudo está sob controle'

O ministro da Saúde, Arthur Chioro, reafirmou na tarde desta sexta-feira que o paciente identificado com suspeita de ebola no Paraná segue sem febre ou queixas de outros sintomas e tem quadro estável. O homem, de 47 anos, que veio da Guiné para Cascavel, continua isolado e aguarda o resultado dos exames para saber se foi infectado pelo vírus do ebola.

"O paciente tem quadro estável, está sem febre e não apresentou outras queixas", disse o ministro.

"Os médicos dialogaram bastante com ele hoje (sexta-feira), e ele disse que não teve contato com pacientes que tinham ebola na Guiné e contou que, quando saiu do país, foi entrevistado por autoridades sanitárias que constataram que ele não tinha nada. Os exames estão sendo processados no laboratório em Belém e a expectativa é ter o resultado amanhã (sábado) até o final da manhã", completou.

Ainda de acordo com Arthur Chioro, o governo brasileiro decidiu ampliar a ajuda aos países que enfrentam a epidemia do ebola na África. O país enviará mais kits médicos a Serra Leoa, Libéria e Guiné, além de milhares de toneladas de comida.

"Além dos 14 kits e 500 mil dólares que o Brasil enviou no início da epidemia, nós estamos enviando mais 10 kits e também vamos colaborar com o programa mundial de alimentos da ONU enviando 6.400 toneladas de arroz beneficiado no valor de R$ 6,3 milhões e 4.600 toneladas de feijão, no valor de R$ 7, 1 milhões".

Foram identificadas 64 pessoas que tiveram algum tipo de contato com o homem na Unidade de Pronto Atendimento - UPA - no Bairro Brasília, em Cascavel.

Essas pessoas estão sendo monitoradas por uma equipe do Ministério da Saúde e, caso a suspeita do ebola seja descartada pelos exames, serão liberadas.

Pelo protocolo da OMS (Organização Mundial da Saúde), é necessário submeter o exame a dois laboratórios para poder confirmar ou não uma suspeita de ebola. Sendo assim, mesmo se o resultado divulgado no sábado for negativo, uma segunda amostra será colhida em 48 horas para análise.

Medidas de prevenção

Apesar de o paciente não ter apresentado sintomas de febre - ou quaisquer outros relacionados ao vírus - desde que foi consultado na UPA em Cascavel, o Ministério da Saúde reforçou que está seguindo o manual de procedimentos adotado pela OMS.

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Image caption Paciente foi levado para Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, que funciona dentro do Instituto Oswaldo Cruz, em Manguinhos

"Os critérios clínicos e epidemiológicos são definidos pela OMS e nos cabe segui-los. Pelas queixas clínicas dele, febre é um dos sintomas, e tem um componente epidemiológico também, ele é de um lugar que tem epidemia, então entendemos que pelo manual de procedimentos da OMS ele seria classificado como um caso suspeito", disse Chioro.

"Nos Estados Unidos, um homem com com suspeita foi mandado para casa, dois dias depois voltou com a situação agravada e alguns dias depois veio ao óbito", afirmou Jarbas Barbosa, Secretário de Vigilância em Saúde do Ministério, mencionando o caso de ebola identificado no Texas na semana passada.

De acordo com o ministro da Saúde, o Brasil já está fazendo um controle de fronteiras para as pessoas que chegam de um dos três países onde a epidemia está mais forte - Serra Leoa, Libéria e Guiné.

"O fluxo de pessoas oriundas desses três países no Brasil é muito pequeno, não é habitual, mas estamos trabalhando maneira objetiva para controlar isso."

Leia mais: Vírus do ebola chegou à Europa em garrafa térmica em 1976

Epidemia

Segundo estimativas atualizadas pela OMS nesta semana, mais de 4 mil pessoas já morreram por causa da doença, no pior surto da história. A epidemia está concentrada em três países: Libéria, Serra Leoa e Guiné.

Na quarta-feira (8), Thomas Frieden, diretor do Centro para o Controle e a Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), ligado ao Departamento de Saúde dos EUA, afirmou que a epidemia de ebola na África Ocidental pode ser comparada ao surgimento da Aids em termos do desafio que impõe aos gestores de saúde pública.

"Eu diria que, em 30 anos que trabalho com saúde pública, a única coisa parecida foi a Aids", disse Frieden, considerado uma das maiores autoridades da área nos Estados Unidos

Leia mais na BBC Brasil: Ebola 'é maior desafio de saúde pública desde surgimento da Aids'

Ele fez a declaração em um fórum do Banco Mundial a respeito da doença, realizado em Washington.

Durante a reunião, o vice-diretor da Organização Mundial de Saúde (OMC), Bruce Alyward, afirmou que o ebola está "enraizado nas capitais" dos países mais afetados e está "acelerando em todos os aspectos".

Segundo Alyward, os chefes de Estado enfrentam um desafio extraordinário pois precisam comunicar à população a urgência da situação, mas não podem causar pânico.

Colaboraram Luís Barrucho, Mariana Della Barba e Renata Mendonça em São Paulo

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