Ebola: embaixada na Guiné concede cerca de 40 vistos por mês para o Brasil

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Image caption Embaixador brasileiro diz ter instituído rigoroso exame de saúde obrigatório a solicitante do documento

(Nota da redação: A BBC Brasil errou ao publicar, na primeira versão desta notícia, que as representações diplomáticas brasileiras em Monróvia, capital da Libéria, e em Freetown, em Serra Leoa, deixaram de emitir vistos para o Brasil por determinação do Itamaraty. A correção foi feita às 17h30 de sábado, 11 de outubro, quatro horas após a publicação)

Apenas uma embaixada brasileira localizada em um dos países africanos mais afetados pela epidemia de ebola concede vistos para estrangeiros que querem ir ao Brasil. A embaixada brasileira em Conacri, na Guiné, concede cerca de 40 vistos mensais para o Brasil, disse à BBC Brasil o diplomata Alírio Ramos, único representante do ministério das Relações Exteriores no país e responsável pela concessão dos vistos.

As representações diplomáticas brasileiras em Monróvia, capital da Libéria, e em Freetown, em Serra Leoa ─ os outros dois países onde o surto está concentrado ─ não emitem vistos para o Brasil por não disporem de equipamentos de informática especiais para se conectar ao Sistema Consular Integrado, administrado pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro).

Ramos contou à BBC Brasil ter instituído um "rigoroso" exame de saúde obrigatório para qualquer pessoa que solicitar um visto na embaixada na Guiné.

"A possibilidade de um estrangeiro que obteve visto na embaixada em Conacri apresentar sintomas de febre viral ebola no desembarque no Brasil ou nos dias seguintes é muito remota", afirma Ramos.

Os candidatos ao visto devem fazer exames clínicos e laboratoriais de temperatura e de sangue no hospital Ignace Deen, em Conacri, considerado um estabelecimento de saúde modelo no país, diz Ramos. Estes testes custam cerca de US$ 15 (R$ 36).

Esses exames são supervisionados pelo diretor-geral do hospital, Mohamed Awada, que também é o médico particular do presidente da Guiné, Alpha Condé, acrescenta o diplomata brasileiro.

Isso ocorre porque Awada, que integra ainda a equipe de ação da Guiné contra o ebola e é especialista em febres hemorrágicas, se tornou médico consultor da embaixada brasileira na Guiné.

"É praticamente impossível alguém na Guiné infectado conseguir obter um visto para o Brasil", ressalta o diplomata, responsável pelos negócios do Brasil no país.

Há atualmente 30 brasileiros na Guiné, sendo pouco mais da metade funcionários da construtora OAS.

Ramos implementou ainda exames de temperatura para qualquer pessoa que entrar no prédio da embaixada na Guiné e também medidas de higienização das mãos dos visitantes que vão ao local.

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Image caption Primeiro suspeito de ebola no Brasil veio da Guiné e se declarou refugiado

No ano passado, a embaixada na Guiné concedeu 463 vistos de viagem para o Brasil, uma média de 38 por mês, taxa semelhante à de 2014.

O primeiro paciente no Brasil suspeito de estar com ebola veio da Guiné. Ele viajou passando pelo Marrocos e, no Brasil, se declarou refugiado.

O ministro da Saúde, Arthur Chioro, disse em entrevista neste sábado que o imigrante entrou no Brasil com visto de turista.

O primeiro exame feito pelo paciente deu negativo. Na segunda-feira, deve sair o resultado de mais um teste para confirmar o diagnóstico.

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil já está fazendo um controle nas fronteiras para as pessoas que chegam de um dos três países onde a epidemia está mais forte - Serra Leoa, Libéria e Guiné.

"O fluxo de pessoas oriundas desses três países no Brasil é muito pequeno, não é habitual, mas estamos trabalhando de maneira objetiva para controlar isso", disse na sexta-feira o ministro Arthur Chioro.

Novo surto

Mais de 600 pessoas foram infectadas pelo ebola na Guiné, o terceiro país mais afetado pelo vírus, após Libéria e Serra Leoa. O número de mortes na Guiné ultrapassa 400 - no total, foram mais de 4000 mortes.

Após um período de relativa calma em relação à propagação do vírus na Guiné, observado desde julho, novos casos começaram a ser registrados no final de agosto e início de setembro, alertou a organização Médicos sem Fronteiras em um comunicado divulgado na quinta-feira.

De acordo com a organização, mais de 120 casos teriam sido detectados nas últimas semanas na Guiné, sendo 85 deles confirmados.

Eles surgiram principalmente na periferia de Conacri. Apenas no município de Coyah, a 50 quilômetros da capital, houve 18 novos casos.

Falsos alertas

Na França, surgiu a suspeita de um caso de ebola depois que um jovem africano passou mal na quinta-feira.

Ele havia viajado pela Guiné antes de chegar a França, em 1° de outubro, e estava acompanhado de três outros jovens africanos.

Médicos franceses já confirmaram que foi um alerta falso. Mas por precaução o prédio público onde eles estavam, na periferia de Paris, foi totalmente fechado e as pessoas que tiveram contato com os jovens no local ficaram em isolamento.

Os testes realizados em outra pessoa suspeita de ter contraído o vírus, uma mulher que foi hospitalizada em Paris, também foram negativos, declarou nesta sexta-feira a ministra francesa da saúde, Marisol Touraine.

Até o momento, onze casos suspeitos de ebola na França tiveram resultados negativos, afirmou a ministra.

Houve apenas o caso da enfermeira da Médicos sem Fronteiras que contraiu o vírus na África e foi transferida para a França. Ela já está curada, acrescentou Touraine.

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