Ebola nos EUA: erro em hospital pode ser causa de transmissão

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Image caption Thomas Frieden afirmou que houve um erro e prometeu um inquérito

A equipe do hospital que atendeu Thomas Duncan, que morreu devido ao ebola no Texas, cometeu um erro "claro" que resultou na transmissão da doença, segundo Thomas Frieden, diretor do Centros para o Controle e a Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), ligado ao Departamento de Saúde dos EUA.

O CDC confirmou que um exame em uma das profissionais de saúde que atendeu Duncan teve resultado positivo.

"Houve, claramente, uma violação no protocolo", disse Frieden neste domingo.

O diretor do CDC prometeu a realização de um inquérito para descobrir como ocorreu a transmissão da doença.

Segundo Frieden, a investigação vai se concentrar em possíveis violações durante dois "procedimentos de alto risco" com o paciente infectado, a diálise e a colocação de um tubo para facilitar a respiração de Duncan.

A mulher cujo exame resultou em positivo não conseguiu identificar qual foi a violação específica dos procedimentos que podem ter levado à sua contaminação.

Daniel Varga, do setor de Recursos de Saúde do Estado do Texas, informou que ela usou luvas, avental, máscara e proteção enquanto tratava do paciente durante a segunda e última internação.

Frieden, por sua vez, afirmou que a educação e treinamento dos profissionais de saúde vão aumentar e os mais medidas são colocadas em prática para reduzir o número de funcionários que tratam os casos de ebola.

Observação

Thomas Frieden acrescentou que outras 48 pessoas que podem ter tido contato com Duncan também estão em observação.

A funcionária que testou positivo para a doença está em isolamento e sua condição é estável. Ela passará por mais exames.

Se o diagnóstico de ebola for confirmado, será o primeiro caso de contágio dentro dos EUA.

"Nós sabíamos que um segundo caso poderia ser uma realidade, e estávamos nos preparando para essa possibilidade", disse David Lakey, comissário do Departamento de Serviços de Saúde do Estado do Texas.

O nome da profissional de saúde e sua posição no hospital não foram divulgados a pedido da família.

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Ela integrou a equipe que cuidou de Thomas Duncan. Duncan contraiu o vírus na Libéria, seu país de origem, e morreu na quarta-feira.

A polícia isolou o apartamento da funcionária em Dallas enquanto o local está passando pela descontaminação.

As autoridades estão indo de porta em porta na vizinhança, fazendo telefonemas e entregando panfletos para notificar a área sobre o caso.

Leia mais: Saiba como evitar o contágio por ebola

A confirmação de que Duncan tinha ebola ocorreu no dia 30 de setembro, dez dias após ele chegar aos EUA em um voo vindo de Monróvia, capital da Libéria, via Bruxelas.

Ele ficou doente poucos dias após chegar aos Estados Unidos, mas, mesmo após ir ao hospital e dizer aos médicos que tinha estado na Libéria, foi enviado para a casa com a recomendação de tomar antibióticos e analgésicos.

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Depois, foi colocado em isolamento em um hospital em Dallas, no Texas. Ele morreu apesar de ter sido tratado com uma droga experimental.

Na Espanha, uma enfermeira que tratou de um padre infectado por ebola na África também contraiu a doença. Foi o primeiro caso de transmissão registrado fora do continente.

A atual epidemia de ebola, concentrada na Libéria, Guiné e Serra Leoa, já teve mais de 8.300 casos confirmados ou suspeitos e pelo menos 4.033 mortes.

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