Sem referendo, Catalunha terá votação simbólica sobre independência

Artur Mas (AFP) Direito de imagem AFP
Image caption Líder do movimento pela independência catalã, Mas disse que o Estado espanhol é o 'inimigo'

Artur Mas, chefe do Executivo da Catalunha, anunciou nesta terça-feira que uma votação simbólica sobre a independência desta região autônoma no noroeste da Espanha será realizada em 9 de novembro, mesmo dia para o qual estava prevista uma votação oficial sobre o tema.

Foi Mas quem havia convocado esta consulta, suspensa pelo Tribunal Constitucional do país no mês passado a pedido do governo espanhol.

O líder catalão disse a jornalistas que a votação não-oficial seria realizada com as mesmas duas questões previstas anteriormente: você quer que a Catalunha seja um Estado? Se sim, você quer que a Catalunha seja um Estado independente?

"A votação em 9 de novembro pode ser considerada uma preparação para um voto definitivo posteriormente", disse, explicando que esse voto definitivo seria uma eleição regional com a participação de partidos pró-independência formando uma única frente, “para que todo o mundo veja quem ganha ou perde”.

Preparação

A suspensão da votação oficial foi celebrada pelo primeiro-ministro do país, Mariano Rajoy.

Segundo ele, a consulta prevista seria de fato um plebiscito, com efeito vinculante, o que exigiria a aprovação prévia das autoridades em Madri – como ocorreu recentemente com a Escócia, que fez um plebiscito pela independência com o consentimento do governo de Londres.

Direito de imagem AFP
Image caption Nacionalismo na Catalunha vem crescendo graças a disputas culturais e econômicas

O nacionalismo estaria crescendo na Catalunha graças a disputas econômicas e culturais.

A região é uma das mais ricas da Espanha, e seus 7,5 milhões de habitantes - 16% da população do país - contribuem mais para a economia do país do que recebem de volta por meio dos fundos dados pelo governo.

Assim como outras partes da Espanha, a Catalunha tem autonomia, mas os defensores da independência dizem que ela não é suficiente.

Ao anunciar a votação simbólica, Mas atacou Rajoy pelos aparentes esforços para evitar a consulta popular com efeito vinculante: "O verdadeiro adversário é o Estado espanhol, que fez de tudo para nos impedir de votar", disse.

Rajoy, por sua vez, voltou a enfatizar a necessidade de diálogo entre Madri e a Catalunha.

Alicia Sanchez-Camacho, presidente na Catalunha do Partido Popular, ao qual pertence Rajoy, descreveu a nova votação como uma "pesquisa de opinião".

Quando questionado sobre o que fará se Madri tentar bloquear a votação em seu novo formato, Mas disse que haverá resistência: "Não facilitaremos para o Estado espanhol."

Notícias relacionadas