Canadá confirma dois mortos em tiroteio na capital

AP Direito de imagem AP
Image caption O incidente ocorreu horas depois do país elevar o nível de risco de terrorismo de baixo para médio

As autoridades do Canadá confirmaram que pelo menos duas pessoas morreram nesta quarta-feira em tiroteios registrados em pelo menos dois locais na capital do país, Ottawa, entre eles o Parlamento canadense.

O governo afirmou que o militar canadense Nathan Cirillo morreu após ser baleado no Memorial de Guerra Nacional. O atirador depois correu em direção ao complexo do Parlamento, próximo ao Memorial, onde um suposto atirador – possivelmente ele próprio – morreu após trocar tiros com a polícia. Três pessoas foram feridas.

O premiê canadense Stephen Harper disse em cadeia nacional de TV que o país "não será intimidaod pela violência". Segundo ele, o ato só reforçou a resolução do país de lutar contra o extremismo ao lado de seus aliados.

Segundo a imprensa local, o atirador morto seria o canadense Michael Zehaf-Bibeau. Ele seria considerado um suspeito de alto risco já identificado previamente pelas forças de segurança.

Um representante da polícia disse que se acredita que dois ou três atiradores tenham participado da ação, e a operação policial ainda está em andamento, embora a ordem para que a população permanecesse dentro de suas casas na região tenha sido suspensa à noite.

No momento do tiroteio, parlamentares estavam em sessão dentro do prédio do legislativo canadense e relataram ter ouvido os tiros e se escondido com medo.

Leia mais: 'Não tive tempo de sentir medo", diz testemunha

A maioria dos prédios públicos de Ottawa foram fechados, incluindo bibliotecas e escolas.

'Pegos de surpresa'

O chefe da polícia de Ottawa, Charles Bordeleau, disse em uma entrevista que os serviços de emergência receberam diversas chamadas às 9h52 (horário local, 7h52 na hora de Brasília), avisando sobre os tiros.

A reprodução deste formato de vídeo não é compatível com seu dispositivo

Segundo relatos, o atirador, com um fuzil, teria atirado no soldado que estava de guarda no Memorial. Depois, correu para o Parlamento. Lá dentro, um suposto atirador teria morrido – embora não tenha sido confirmado se esse foi o mesmo que atirou e matou o soldado antes.

"Estamos usando todos os recursos disponíveis. E como essa é uma operação em andamento, pedimos à população que fique longe do centro da cidade", disse Bordeleu durante o dia. Ele também fez um apelo para que testemunhas entrem em contato com as autoridades.

Já o chefe da polícia montada da Canadá, Gilles Michaude, admitiu que o ataque pegou as autoridades "de surpresa".

O prefeito de Ottawa, Jim Watson, prestou condolências à família do soldado morto – cujo nome ainda não foi divulgado. "Foi um ataque horrível e nós todos queremos respostas. Mas não vamos deixar esse ódio tomar conta da nossa cidade."

A diretoria do Hospital de Ottawa informou que recebeu pacientes, sendo que dois deles estão em condições estáveis. O terceiro era o soldado que não resistiu aos ferimentos e morreu.

Risco de atentado

Direito de imagem Reuters
Image caption A área do Parlamento foi isolada pela Polícia de Ottawa

O incidente ocorreu horas depois do país elevar seu nível de risco de terrorismo de baixo para médio.

Segundo autoridades, isso ocorreu porque foi detectado na internet um aumento de interações entre membros de grupos extremistas, como o Estado Islâmico e a Al-Qaeda.

Neste mês, o Canadá anunciou planos de se unir aos ataques aéreos liderados pelos Estados Unidos contra o "Estado Islâmico" no Iraque.

Um porta-voz do Ministério de Segurança Pública acrescentou que o nível de risco mais elevado "significava que um indivíduo ou um grupo no Canadá ou no exterior tinha a intenção e capacidade de cometer um ato terrorista".

Direito de imagem Reuters
Image caption Soldado foi morto nesta semana por um militante procurado pelas autoridades

Na segunda-feira, um muçulmano convertido foi morto pela Polícia da província de Quebec, também na região leste do Canadá, depois de bater deliberadamente em dois soldados, matando um deles e deixando o outro ferido.

O homem era um dos 90 militantes extremistas que estão sendo procurados pelas autoridades canadenses.

De acordo com o correspondente de segurança da BBC, Frank Gardner, nenhum grupo extremista assumiu a autoria dos atos desta quarta-feira até o momento.

Notícias relacionadas