Cantora pop foge para evitar prisão após ser vítima de ‘vingança pornô’ em Uganda

Desire Luzinda (Foto: BBC)
Image caption 'Vingança pornô' teria obrigado cantora de Uganda a viver escondida

O governo de Uganda está ameaçando usar uma nova legislação para prender uma cantora pop que, por sua vez, se diz vítima de uma "vingança pornô" na internet.

A artista Desire Luzinda está vivendo escondida após a divulgação de uma série de fotos em que ela aparece nua. Luzinda afirma ter sido vítima da chamada "vingança pornô" - a divulgação na internet de fotos de uma pessoa nua sem seu consentimento.

O responsável pelo vazamento do material teria sido seu ex-namorado.

O material se tornou "viral" nas redes sociais e foi até publicado em jornais do país. O governo ameaçou prender a celebridade com base em uma legislação antipornografia aprovada no ano passado.

Em entrevista à BBC, ela afirmou que está assustada e que vem se escondendo por temer a reação do público e da imprensa. "Algumas (publicações) mostram compaixão, mas outras me julgam."

"Eu nunca tirei fotos nua. Quando minha mãe me chamou para vê-las, ela perguntou: 'Você estava bêbada, estava drogada? Porque esta não é você'. E eu não tinha uma resposta", afirmou.

Luzinda disse que pretende processar o responsável pela publicação na internet de suas fotos.

Legislação

Mesmo alegando ser vítima, Luzinda pode ser detida e julgada de acordo com a legislação antipornografia aprovada por Uganda no ano passado.

Image caption Cantora diz que está assustada e vai processar quem vazou suas fotos íntimas na internet

O ministro da Ética e Integridade, Simon Lokodo, defendeu a prisão da artista. A pasta dele vem sofrendo críticas por usar a nova lei para punir vítimas da "vingança pornô".

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Lokodo afirmou que uma investigação ampla sobre o caso está sendo conduzida pelas autoridades. Disse ainda que quer descobrir quem foi o responsável pela divulgação do material.

"As fotos estão lá e a próxima pessoa que vamos procurar é o ex-namorado dela", afirmou Lokodo à BBC.

Para a ativista feminina Tina Mosuya, a publicação de fotos íntimas de mulheres por ex-parceiros e pessoas próximas está se tornando um problema comum em Uganda.

"Temos que prestar atenção ao tirar fotos, porque a tecnologia permite proteger um arquivo, mas é muito fácil quebrar a segurança", alertou.

"Uma pessoa que um dia está sorrindo para você no outro pode ser o mau caráter que vaza suas fotos."