Bebê dado como morto ao nascer faz aniversário de dois anos

Direito de imagem Emmanuel Fernndez CLARIN
Image caption Gisele (à esq) e sua mãe dizem que bebê foi colocado em uma comadre ao nascer

Um menino argentino dado como morto ao nascer completou dois anos de idade nesta terça-feira.

O parto de Santino Manuel Franco foi realizado em um hospital de emergência por uma ginecologista, que disse à mãe, Gisele Franco, que o bebê não respirava e estava morto.

Segundo descrição da mãe, o bebê foi colocado pela médica em uma comadre e seu corpo foi coberto por um pano.

"Foi horrível", disse Gisele à BBC Brasil. "Eu tive parto normal e lembro quando ela pegou o bebê e o colocou em uma comadre debaixo de sua mesa de escritório na mesma sala onde fui atendida e ainda estava deitada."

Gisele contou que estava grávida de seis meses quando sentiu as contrações em casa e foi levada às pressas para o hospital mais próximo, na cidade de Pilar, na província de Buenos Aires, onde mora. O bebê, disse, nasceu com 660 gramas e era "muito pequeno".

Naquela madrugada de 18 de novembro de 2012, a médica avisou a Gisele e a mãe dela, Viviana Miranda, que a criança não respirava. Viviana, que estava na recepção do hospital, duvidou e pediu para ver o recém-nascido.

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Image caption Santino nasceu prematuro, em um hospital não especializado na Argentina

"Foi instinto materno e de avó. E ela insistiu com a médica que o bebê tinha se mexido. A médica disse que não, que era reflexo. Veio uma pediatra que concordou que ele respirava e o salvou", disse Gisele pelo telefone, enquanto preparava a festa familiar de aniversário da criança. Viviana disse à imprensa local que foi "emocionante" ter constatado que o bebê estava vivo.

"Ele estava na comadre no chão, coberto com um pano verde. E ali ficou uns dez ou quinze minutos", disse. Mãe de seis filhos, Viviana afirmou ainda, pouco depois do parto de Gisele, que seu neto tinha vários problemas de saúde, incluindo respiratórios.

Ele ficou quase seis meses internado, incluindo o período de incubadora, no hospital pediátrico Garrahan, na cidade de Buenos Aires. Passou por cirurgias, como uma no coração e outra nos olhos, contaram Gisele e Viviana.

'Anjo'

"Ele nasceu às 4h30 da manhã e eu só pude vê-lo às 14h30. A pediatra que o atendeu quando ele ainda estava no chão foi como um anjo. Ela massageou suavemente o peito dele, o aqueceu com algodão, lhe deu oxigênio e improvisou uma incubadora para levá-lo na ambulância para uma maternidade com a infraestrutura para que ele fosse atendido", disse a mãe de Santino.

Gisele disse que a saúde da criança está agora "praticamente normal". Ele tem problemas respiratórios "leves" e precisa usar óculos, decorrência do nascimento prematuro, disseram os médicos à mãe.

Nesta semana, a mãe e a criança foram motivo de reportagens nas TVs argentinas. De cabelos e olhos negros, Santino brincava diante das câmeras de televisão enquanto Gisele contava como é seu cotidiano. "Hoje, eu o chamo de Santi e de Santo. Me disseram que Santino é santo e acho que realmente ele tem algo especial nessa vida", disse ela, que estudava recursos humanos antes do nascimento do filho e agora dedica seus dias ao menino.

Segundo Gisele, a expectativa é de que ele possa frequentar a pré-escola no ano que vem, "como qualquer outra criança da idade dele". As primeiras palavras aprendidas por Santino foram "mama" (mamãe) , "papa" (papai) e "abu" (avó).

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