Nasa adia 1º voo teste de nave para Marte

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Image caption O foguete Delta será o substituto do voo teste da cápsula Orion (Foto: BBC)

O lançamento do primeiro voo teste de uma nave que, no futuro, poderia ajudar humanos a chegar a Marte, foi adiado nesta quinta-feira por problemas técnicos e meteorológicos.

A Orion seria lançada pela manhã acoplada a um foguete Delta a partir da base de Cabo Canaveral, no Estado americano da Flórida, mas a contagem regressiva acabou interrompida por causa de ventos fortes e de problemas nas válvulas de combustível dos propulsores do foguete.

Engenheiros vão fazer nova tentativa nesta sexta-feira, às 7h05 (10h05 de Brasília).

"Vamos tentar garantir que temos um bom foguete, e tão logo fizermos isso, vamos voltar à plataforma de lançamento e enviar Orion ao espaço para um voo teste bem-sucedido", assegurou Dan Collins, da United Launch Alliance, empresa responsável pelo foguete Delta.

O objetivo do voo não-tripulado era testar algumas das tecnologias da nave durante uma viagem curta por cima da Terra.

A cápsula tem formato cônico, lembrando as naves Apollo, que levaram o homem à Lua nas décadas de 1960 e 1970.

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Cápsula e foguete

A Orion está sendo desenvolvida junto com um novo e poderoso foguete que só deverá fazer seu primeiro voo em 2017 ou 2018.

Junto, eles poderão ter a capacidade para levar seres humanos até da Estação Espacial Internacional e para destinos como Marte.

Para o voo, no entanto, será usado o foguete Delta IV-Heavy, atualmente o mais poderoso foguete de lançamento do mundo.

O Delta vai enviar a Orion para dar duas voltas em torno da Terra, arremessando a cápsula a uma altitude de quase 6 mil quilômetros.

Depois, a Orion cairá novamente na Terra com uma velocidade de reentrada que chega perto dos 30 mil quilômetros por hora, próximo da velocidade esperada de uma cápsula retornando de uma viagem à Lua.

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Os testes deverão dar aos engenheiros da Nasa a oportunidade de checar o desempenho do escudo de calor da Orion, que deve enfrentar uma temperatura de 2 mil graus.

Os engenheiros também vão observar os testes dos paraquedas da cápsula, que devem desacelerar a queda nas águas do Oceano Pacífico. A Orion deve cair na costa da península da Baja Califórnia, México.

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Radiação

O projeto é da Nasa, mas o desenvolvimento da cápsula foi feito pela gigante americana do setor aeroespacial Lockheed Martin.

A agência especial americana vai aproveitar o lançamento para verificar se o projeto da Lockheed Martin atendeu às especificações.

Uma delas envolve a proteção contra a radiação, considerada uma grande ameaça nesse tipo de missão.

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Pequeno passo, grande programa

A Orion é um pequeno passo em um programa de desenvolvimento muito grande, refletindo a nova realidade na agência espacial americana.

Sem conseguir os recursos financeiros da era das missões Apollo, a Nasa recorre a parcerias para viabilizar suas missões.

Mesmo se hoje a Nasa já tivesse a cápsula Orion funcionando totalmente com seu foguete, a agência não conseguiria enviar uma missão para outro planeta, pois a tecnologia para fazer esse tipo de operação ainda não foi totalmente desenvolvida.

Historiadores espaciais, como John Logsdon, lançam dúvidas sobre se as missões atuais são sustentáveis.

"O primeiro lançamento com uma tripulação a bordo é em 2020/21, e então nada está totalmente definido depois, apesar de, é claro, a Nasa ter planos. Mas isto é muito lento para manter a prática das equipes de lançamento, manter todos envolvidos. E isto ocorre pela falta de dinheiro, não pelas barreiras técnicas", disse.

Uma solução é buscar parceiros internacionais. A Europa, por exemplo, fará a parte traseira de todas as cápsulas Orion no futuro.