Ativista tenta ser engolido por anaconda e gera indignação nas redes

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Image caption Depois de meses de promessas, o ambientalista Paul Rosolie não conseguiu ser engolido por uma anaconda (com transmissão pela TV)

Um jovem ambientalista promete ser engolido vivo por uma anaconda, filmar o interior do animal de seis metros e transmitir o feito pela televisão, para o mundo inteiro. Qual a chance de dar certo?

Muita gente apostou que daria... e se frustrou. Transmitido nos Estados Unidos e Reino Unido pelo canal Discovery no último fim de semana, o especial Eaten Alive ("Comido Vivo") não terminou como prometeu.

"Não consigo sentir meus braços." "Ela está me apertando demais." "Socorro!". Com essas palavras chegou ao fim a aventura de Paul Rosolie na Amazônia peruana, que usou roupas especiais cobertas por sangue para chamar atenção da serpente gigante.

No auge do programa, segundos depois de ter a cabeça engolida pela anaconda, o rapaz interrompeu a ação, ou teria seus ossos destroçados.

Propagandeada durante meses na TV e na internet, a viagem frustrada ao centro da serpente gerou críticas nas redes sociais - inclusive no Brasil.

A audiência reclama tanto da proposta inicial do programa, considerada perigosa e sensacionalista por defensores dos animais, quanto da versão exibida pelo canal, considerada enganosa por telespectadores.

Já segundo Rosolie, o objetivo de Eaten Alive é trazer holofotes para o problema do desmatamento na Floresta Amazônica. A redução das áreas de mata nativa, segundo o ambientalista, também faz com que as anacondas percam seu seu habitat natural.

Críticas

Image caption Imagens do programa, exibido pelo Discovery Channel, mostram Rosolie 'atracado' com a serpente

"Gente, quer dizer então que o homem que foi engolido vivo por uma cobra e registrou tudinho pro programa de TV na verdade nunca foi comido?", ironizou pelo Twitter o brasileiro @dieloguemos.

"O idiota que queria ser engolido vivo não aguentou o primeiro arrocho da anaconda e eu to rindo horrores!", provocou a internauta @Ohannitas.

"Quero minha grana de volta", brincou @zuinix, também pelo Twitter.

Desde os primeiros anúncios de Eaten Alive, ambientalistas do mundo inteiro, como a ONG Peta, publicaram notas de repúdio à iniciativa pela exposição negativa da cobra e possíveis danos à integridade física do animal.

Após a transmissão, o site Mashable narrou a história sob o seguinte título: "Homem engolido por anaconda mostra por quê a natureza odeia os humanos".

"Os primeiros 90 minutos do especial de duas horas detalharam uma verdadeira caçada cheia suspense em busca de uma cobra adequada. Os últimos 30 minutos foram dedicados a imagens da cobra mordendo um capacete e Rosolie pedindo ajuda de sua equipe, sem uma segunda tentativa", disse o jornal britânico The Guardian.

Bluetooth

Um dos pontos que mais chamaram atenção durante as propagandas do encontro entre Rosolie e a serpente foi a tecnologia empregada na roupa especial que protegeria o ambientalista.

Batidas do coração, temperatura corporal e respiração eram medidos por um dispositivo Bluetooth instalado na vestimenta, composta também por metal, como uma armadura, para aguentar o tranco da mordida da cobra.

Ele ainda usa uma superfície que mede a pressão exercida pela cobra, mais uma camada de neopreno para ser engolido mais facilmente.

Uma camada de neopreno foi instalada na roupa para que ele fosse "engolido mais facilmente". Uma vez dentro da cobra, o protagonista respiraria por uma máscara SCBA, que permite trazer ar por meio de tubos.

A anaconda sobreviveu ao episódio sem problemas.