'É preciso apurar e punir sem enfraquecer Petrobras', diz Dilma na posse

Direito de imagem Reuters
Image caption Dilma toma posse em conjuntura menos favorável do que há quatro anos

Em discurso de posse de seu segundo mandato, nesta quinta-feira, a presidente Dilma Rousseff prometeu priorizar a educação, manter a estabilidade da economia sem abrir mão de ganhos sociais, apresentar ao Congresso um pacote de medidas anticorrupção e punir os desvios na Petrobras "sem enfraquecer a estatal".

"Vamos apurar com rigor tudo de errado feito", disse a presidente, dedicando diversos minutos de sua fala perante o Congresso para comentar os escândalos na Petrobras.

"Temos que saber apurar e punir sem enfraquecer a Petrobras. Temos muitos motivos para proteger a Petrobras de seus predadores internos e seus inimigos externos."

Na cerimônia de posse, o comboio da presidente reeleita começou no Palácio da Alvorada pouco antes das 15h00. Em seguida, Dilma seguiu pelo Eixo Monumental rumo ao Congresso em carro aberto, cumprimentando a multidão ao lado da filha Paula.

No Legislativo, foi realizada a cerimônia de posse e o juramento à Constituição.

A presidente assume em uma conjuntura bem menos favorável do que há quatro anos, em 2011, ante o baixo crescimento da economia, o desequilíbrio nas contas públicas, os escândalos de corrupção na Petrobras e a fragmentação de sua base aliada.

Dentro do Congresso, diante de parlamentares, mandatários estrangeiros e convidados, a presidente fez seu discurso de posse.

Disse que retorna com "a alma cheia de alegria, esperança e responsabilidade", que ouviu as urnas e "não trairá o chamado para reconduzir mudanças" no país.

Leia mais: Congresso, economia e Petrobras: três grandes desafios do novo mandato de Dilma

A presidente reeleita voltou a defender uma reforma política "que estimule o povo a retomar seu gosto pela política".

Economia

Direito de imagem AFP
Image caption Presidente disse que quer 'derrotar falsa tese de conflito entre estabilidade econômica e ganhos sociais'

Na parte econômica, disse que a estabilidade e a credibilidade vão nortear seu mandato, junto ao combate à inflação. Dilma disse que o Brasil "precisa voltar a crescer" com ajuste nas contas públicas, aumento da poupança interna e "mais investimento e produtividade".

Mas disse que não mexerá com direitos trabalhistas e previdenciários e que quer "derrotar a falsa tese de conflito entre estabilidade econômica e crescimento dos ganhos sociais".

Em relação a casos de corrupção, a presidente disse que "jamais compactuou com qualquer ato ilícito" e prometeu apresentar ao Congresso um pacote de medidas que, segundo ela, aperfeiçoaria os mecanismos para identificar e punir enriquecimento não justificado de agentes públicos e caixa-dois.

Leia mais: PT ganha em Minas, mas pulverização marca eleições para estados

Dilma afirmou que a Petrobras passava por processos de melhoria de gestão no momento em que veio à tona o atual escândalo de corrupção e declarou que a estatal "é maior do que quaisquer crises".

A presidente também anunciou que o lema do segundo mandato será "Brasil, pátria educadora", dizendo que a educação será "a prioridade das prioridades" e que todas as ações do governo "terão um sentido educador".

Diante dos parlamentares, afirmou que "a maioria das mudanças que a população exige tem que nascer aqui, na Casa do povo".

Após o discurso no Congresso, Dilma foi passar em revista a guarda presidencial e cumprimentar os chefes de Estado presentes na cerimônia de posse.