Público encara calor e até falta d’água para assistir à posse de Dilma

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Image caption Milhares de simpatizantes vieram de diferentes localidades do país em caravanas bancadas pelo PT ou por conta própria para ver presidente, que dá início a segundo mandato

Os apoiadores da presidente Dilma Rousseff que acompanharam a posse do segundo mandato nesta quinta-feira em Brasília enfrentaram forte calor e até falta d'água.

Milhares de simpatizantes vieram de vários cantos do país em caravanas bancadas pelo Partido dos Trabalhadores (PT) ou por conta própria e chegaram cedo para garantir um bom lugar, perto de onde a presidente desfilou em carro aberto.

Segundo a Polícia Militar do Distrito Federal, cerca de 40 mil pessoas passaram pela Esplanada dos Ministérios durante o evento.

Washington da Silva Santos e mais 25 pessoas da cidade de Santo André (SP) chegaram à Brasília às 3h após viajarem 16 horas num ônibus fretado pelo partido.

Passar o ano novo na estrada não foi problema. O que incomodou os viajantes foi a falta de água no local alugado para hospedar a militância petista, o ginásio poliesportivo Nilson Nelson.

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"A viagem foi muito boa, mas quando cheguei aqui o lugar estava muito cheio e não tinha estrutura adequada para nos receber. Estava sem água e não tivemos como tomar banho", reclamou Santos, que é funcionário de uma empresa de produtos químicos.

Ainda assim, o admirador da presidente não desanimou. Chegou às 10h30 à Esplanada dos Ministérios, garantindo um lugar privilegiado de onde pôde ver Dilma passar no Rolls-Royce presidencial a poucos metros de distância, às 15h05, e em seguida descer do carro e subir a rampa do Congresso Nacional, onde foi empossada em cerimônia no Senado.

"Eu faço tudo pela Dilma. Ela merece porque ela é o povão, representa o povo brasileiro", disse Santos.

"Sou petista desde que eu nasci. Eu gosto do partido, é que nem time de futebol", frisou, empolgado, esquecendo-se de que o Partido tem 34 anos, menos do que seus 51 anos de idade.

Santos passou as mais de quatro horas em que aguardou a chegada de Dilma com o braço erguido, segurando uma das lonas usadas pelos militantes para se proteger do sol.

Sede

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Image caption Washington Santos (de preto) reclamou da falta d'água em alojamento providenciado pelo PT

O esquema de segurança não deixou que as pessoas entrassem na área próxima ao Congresso Nacional com sombrinhas, bandeiras ou garrafas de água. Alguns dos apoiadores eram bem simples e estavam sem beber água por causa do alto preço cobrado pelos ambulantes, R$ 4 pela garrafa de 500 ml. Guarda-chuvas eram vendidos também por 20 reais cada na área mais distante do Parlamento.

"Podiam distribuir água aqui para gente, R$ 4 é muita exploração", reclamou a aposentada Rozinete Aurora da Silva.

O serralheiro Edvaldo Matos da Silva veio de Pedreiras, no Maranhão, com a esposa por conta própria e ficou hospedado na casa de parentes em Luziânia, cidade próxima à Brasília. Seu objetivo é voltar para a casa e contar aos amigos que viu de perto a presidente. "Minha expectativa é e que ela faça um bom governo, principalmente para aquelas pessoas carentes, que precisam (da ação do governo)", disse.

Bem-humorado, apesar do calor, o comerciante Hailton Alves de Araújo contou que veio de Goianésia do Pará (PA) junto com a mulher e o filho. Eles levaram 24 horas para percorrer cerca 2 mil km. "Viemos porque eu vejo que nesses últimos doze anos a vida do povo brasileiro mudou substancialmente", explicou.

Protesto

Image caption Marcello Reis pegou um avião hoje cedo em São Paulo para liderar o protesto contra Dilma

No outro lado da Esplanada dos Ministério, em frente ao Museu da República, um grupo de algumas dezenas de pessoas realizou um protesto pedindo o impeachment da presidente. Eles soltaram 3 mil balões pretos no momento em que Dilma Rousseff iniciou o desfile em carro aberto, que partiu pouco antes das 15h da Catedral de Brasília, ao lado do museu.

O protesto, liderado pelo grupo Revoltados ON LINE, reuniu pessoas de Estados como São Paulo, Pernambuco, Rio de Janeiro e Goiás.

Um dos líderes do movimento, o paulista Marcello Reis, chegou de avião nesta manhã à Brasília. Segundo ele, alguns simpatizantes da presidente "quiseram briga e estouraram alguns balões", mas a Polícia Militar interveio e protegeu o grupo.

Sobre a baixa presença de manifestantes, Reis disso que isso já era esperado.

"Nós já sabíamos que seríamos poucos, representando milhares. Essa era nossa intenção, mostrar que têm pessoas que deixam de estar com suas famílias comemorando o dia primeiro por estar preocupado com o futuro do nosso país".