#SalaSocial Chefes de Estado, cartunistas e jornalistas lamentam ataque a revista

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Image caption Mensagem #JesuisCharlie ("eu sou Charlie") se espalhou após ataque à revista francesa "Charlie Hebdo"

Cartunistas choram a morte do icônico chargista George Wolinski. Presidentes criticam a volta do que classificam como "terror" à Europa. Jornalistas clamam por liberdade de expressão irrestrita.

O ataque contra a polêmica revista francesa Charlie Hebdo, que matou 10 funcionários e dois policiais na manhã desta quarta-feira em Paris, gerou comoção entre personalidades e anônimos nas redes sociais. Até o fechamento desta reportagem, 11 feridos - quatro deles em estado grave - eram atendidos em hospitais de Paris em decorrência do tiroteio.

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Image caption Hollande, presidente francês: "Nenhum ato bárbaro vai extinguir a liberdade de imprensa. Nós somos um país unido e vamos reagir unidos".

Horas depois do episódio, a hashtag #CharlieHebdo foi içada ao primeiro lugar entre os tópicos mais comentados no Twitter em todo o mundo. A frase #JeSuisCharlie (Eu Sou Charlie) também se espalhou por toda a rede.

Líderes como o norte-americano Barack Obama, a chanceler alemã Angela Merkel e o premiê inglês David Cameron publicaram mensagens de desaprovação e condolências nas redes. Dilma Rousseff fez o mesmo em suas páginas no Facebook e no Twitter.

Image caption Mapa mostra localização dos ataques na capital francesa

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'Dia tenebroso'

Além de Wolinski, que desde os anos 1960 é um dos cartunistas mais prestigiados (e politicamente incorretos) do mundo, outros três desenhistas perderam suas vidas: Stephane Charbonnier - ou "Charb", editor da revista -, Jean Cabut - conhecido como "Cabu" - e Bernard Verlhac - ou "Tignous".

"Wolinski influenciou todo mundo que vocês conhecem: Ziraldo, Jaguar, Nani, Henfil, Fortuna... O cara era uma escola. Que dia tenebroso!", postou o cartunista brasileiro André Dahmer no Twitter.

O chargista Rafael Campos Rocha desabafou pelo Facebook: "Wolinski foi acusado de falocrata (...) porque era um libertário. Quem matou foi mais um desses patrulheiros (...), para os quais a causa (seja religiosa, política ou de gênero) não serve para LIBERTAR, mas sim para COIBIR, CASTRAR e DESTRUIR."

Laerte, uma das maiores personalidades dos quadrinhos brasileiros, associou a tragédia ao avanço da extrema-direita na Europa. "É evidente que vai beneficiar a extrema-direita, que está crescendo na Europa e buscando criar uma cultura de ódio ao estrangeiro", escreveu em seus perfis.

O jornal Le Monde descreveu o ilustrador Cabu como um "gigante das charges".

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'Abominável'

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"Os assassinatos em Paris são revoltantes. Estamos com o povo francês na luta contra o terror e pela defesa à liberdade de imprensa", tuitou o premiê britânico David Cameron, logo após os ataques.

Para Angela Merkel, chanceler da Alemanha, o ataque à sede do Charlie Hebdo é "abominável".

"Este abominável ataque não vitimiza apenas os cidadãos franceses, mas fere também a liberdade de imprensa e de expressão", disse.

Em nota oficial, Obama qualificou o ataque como "horrendo" e disse que "pensamentos e orações estão com as vítimas deste ataque terrorista e com o povo da França neste momento difícil".

Depois, em discurso, o presidente norte-americano ofereceu ajuda "para levar à Justiça" os responsáveis pelo ataque e disse que a "França é o aliado mais antigo dos Estados Unidos e tem estado ombro a ombro conosco na luta contra terroristas que ameaçam nossa segurança compartilhada e o mundo".

Segundo Obama, ao escolher como alvo uma revista

, os autores do atentado revelaram "temer a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa".

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'Vamos ganhar'

Para Dilma Rousseff, o atentado foi "sangrento e intolerável".

"Foi com profundo pesar e indignação que tomei conhecimento do sangrento e intolerável atentado contra a sede da revista Charlie Hebdo", disse, no Twitter.

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Em comunicado oficial enviado à imprensa, ela prossegue: "Esse ato de barbárie, além das lastimáveis perdas humanas, é um inaceitável ataque a um valor fundamental das sociedades democráticas - a liberdade de imprensa. Nesse momento de dor e sofrimento, desejo estender aos familiares das vítimas minhas condolências. Quero expressar, igualmente ao presidente Hollande e ao povo francês a solidariedade de meu governo e da nação brasileira."

Já Hollande, citado por Dilma, visitou o local do tiroteio e disse se tratar de um ataque à liberdade de expressão e um ato de terrorismo.

Ele se manifestou primeiro pelo Twitter e depois em entrevistas coletivas. Em discurso curto, ele afirmou que "nada pode nos dividir, nada pode nos separar".

"Vamos ganhar", disse o presidente francês. "Nada nos fará abdicar da nossa determinação. Vida longa à república. Vida longa à França."

A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, convocou uma manifestação de protesto para esta quinta-feira, às 18h locais, como resposta ao ataque à Charlie Hebdo.

Em sua página no Facebook, Hidalgo convocou os "defensores de liberdade" a fazer uma caminhada silenciosa partindo da Place da República, no centro da capital.

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