Air Asia: mergulhadores avistam cauda do avião no Mar de Java

Foto submarina de destroços do avião da AirAsia (foto: AFP / Barsanas) Direito de imagem AFP I BASARNAS
Image caption Mergulhadores e submarinos robôs avistam cauda de Airbus no Mar de Java

Equipes de buscas afirmaram ter localizado a cauda do Airbus A320-200 da AirAsia desaparecido desde o dia 27.

É nesta parte da aeronave que ficam localizadas as caixas-pretas, que podem ter registrado os dados dos momentos finais do voo QZ8501 - o que dá esperanças às autoridades de ter informações mais detalhadas sobre o que causou o acidente.

"Nós encontramos a cauda, que era o nosso principal objetivo do dia", disse Bambang Soelistyo, que coordena os esforços de buscas.

A estrutura foi avistada por mergulhadores e por meio de submarinos robôs com câmeras, mas não foi retirada do oceano. Ela é o primeiro pedaço significativo da fuselagem do avião a ser identificado durante os trabalhos de buscas.

Autoridades acreditam que a maioria dos destroços do avião está no fundo do Mar de Java, a pelo menos 25m de profundidade.

O chefe executivo da AirAsia, Tony Fernandes, comentou a notícia da identificação da cauda em sua conta no Twitter. Ele afirmou que as caixas pretas poderm estar lá e reforçou a necessidade de se recuperar os corpos das vítimas para aliviar a dor das famílias.

O voo QZ8501 desapareceu enquanto seguia de Surabaya, na Indonésia, para Cingapura. Tinha 162 pessoas a bordo e nenhum sobrevivente foi encontrado.

Leia mais: O que se sabe sobre o sumiço do avião da AirAsia

As equipes de resgate já encontraram 40 corpos e partes dos destroços.

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Image caption O mau tempo impediu as equipes de resgate de confirmar se a cauda do avião foi realmente encontrada

Autoridades indonésias expandiram a área de buscas e agora estão estão se concentrando numa região localizada a 166km da ilha de Bornéu, onde diversos objetos grandes que podem ser parte do Airbus A320-200 foram avistados por aeronaves de reconhecimento.

Autoridades envolvidas nas buscas disseram acreditar que fortes correntes marítimas estão empurrando os destroços para longe da área onde o avião fez o último contato com os controladores de voo. Segundo a correspondente da BBC em Jakarta, Karishma Vaswani, essa teoria é reforçada pelo fato da cauda te sido avistada na área de buscas expandida e não na região inicial onde os esforços eram concentrados.

Cerca de 30 navios estão envolvidos nas buscas. No fim de semana sonares identificaram o que poderiam ser grandes partes do avião, mas até agora apenas a cauda foi avistada por mergulhadores.

Novas regras

O voo QZ8501 tinha 137 passageiros, sendo 17 crianças e um bebê, além de dois pilotos e cinco comissários de bordo. A maioria era formada por indonésios.

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Image caption Até agora, 37 corpos foram encontrados. O voo tinha 162 pessoas a bordo, a maioria delas da Indonésia

O governo da Indonésia ofereceu a parentes das vítimas a chance de visitar o local do desparecimento da aeronave. Eles voariam até Pangkalan Bun, a cidade mais próxima de onde os corpos começaram a ser encontrados, e de lá seguiriam de navio para a região das buscas para jogar flores ao mar. Para o chefe das forças armadas da Indonésia, general Moeldoko, a visita poderá ajudar os parentes a "diminuir a sensação de perda".

Moeldoko também prometeu que todas as vítimas serão identificadas independentemente da condição em que forem encontradas.

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Image caption Aviões de reconhecimento avistaram possíveis destroços numa área a 166km da ilha de Bornéu

Ao todo, 260 médicos indonésios e estrangeiros estão trabalhando na identificação das vítimas, analisando impressões digitais, registros de arcada dentária, e DNA.

As autoridades da Indonésia informaram ainda ter suspenso os voos da AirAsia na rota Surabaya-Cingapura enquanto investigam como o voo QZ8501 recebeu autorização para partir no sábado apesar de a companhia não ter permissão para operar naquela rota no dia.

Numa entrevista coletiva na segunda-feira, um representante do Ministério do Transporte, Djoko Murjatmojo, informou que funcionários envolvidos no caso foram movidos para outras funções. O ministério também impôs uma diretiva que obriga os pilotos a comparecer a um briefing sobre condições climáticas e outros assuntos operacionais antes de decolar.

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