Suspeitos de ataque à revista francesa são identificados

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Image caption Segundo agência de notícias AP, os homens são os irmãos franceses Said Kouachi e Cherif Kouachi e Hamyd Mourad, cuja nacionalidade ainda não foi divulgada

A polícia francesa identificou os três homens suspeitos de envolvimento no ataque contra o semanário satírico 'Charlie Hebdo', que matou 12 pessoas e feriu outras 11, quatro delas em estado grave, nesta quarta-feira.

Segundo a polícia, os suspeitos foram identificados como os irmãos franceses Said Kouachi e Cherif Kouachi, de 34 e 32 anos, respectivamente, de Paris, e Hamyd Mourad, da cidade de Reims, no nordeste da França, cuja nacionalidade ainda não é conhecida.

Por volta das 22h locais, autoridades francesas deram início a uma grande operação de busca em Reims.

Um dos policiais afirmou que os suspeitos estão ligados a uma rede terrorista do Iêmen. Uma testemunha do atentado desta quarta-feira afirmou que um dos atiradores teria dito: "Podem dizer à imprensa que é a al-Qaeda no Iêmen".

Os policiais falaram sob condição de anonimato porque não foram autorizados a discutir o assunto publicamente.

Nenhuma prisão foi confirmada pela polícia até agora.

Nesta quarta-feira, homens armados invadiram a sede do semanário satírico francês 'Charlie Hebdo', em Paris, matando 12 pessoas, incluindo o editor-chefe, antes de fugirem em um carro. Foi o pior atentado em solo francês em 50 anos.

Cherif Kouachi foi condenado a 18 meses de prisão em 2008 por acusações ligadas ao terrorismo. Ele teria ajudado a recrutar combatentes para a insurgência no Iraque.

Durante o julgamento de Charif, ele afirmou ao juiz que "realmente acreditava na ideia" de lutar contra a coalizão liderada pelos Estados Unidos no Iraque. Ele disse também ter sido motivado pelas imagens de TV retratando a tortura de prisioneiros iraquianos em Abu Ghraib, no Iraque.

Testemunhas afirmaram que os homens gritaram "Allahu Akbar!" ("Deus é grande") enquanto atiravam, por volta das 12h locais na sede da revista, localizada próxima ao monumento da Bastilha. Os homens também falavam francês fluente e sem sotaque, acrescentaram.

Conhecida pelas charges polêmicas, a Charlie Hebdo já havia sido alvo de outro atentado, em 2011, após ter publicado um desenho retratando o profeta Maomé, sagrado para os muçulmanos. Segundo o islamismo, Maomé não pode ser representado.

Em pronunciamento à nação, o presidente francês, François Hollande, descreveu o atentado como "um ato de excepcional barbárie", e lembrou outros ataques que foram realizados na França nas últimas semanas.