Ataque com mulher-bomba mata policial na Turquia

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Image caption Policial morreu e outro ficou ferido; atentado ocorreu em bairro turístico

Um ataque suicida de uma mulher-bomba contra uma delegacia no centro de Istambul, na Turquia, matou um policial e feriu outro, informaram autoridades.

O atentado ocorreu no bairro turístico de Sultanahmet, perto da Mesquita Azul e da Basílica de Santa Sofia.

A mulher falava inglês com "forte sotaque", mas sua nacionalidade e identidade permanecem desconhecidas, afirmou o governador de Istambul, Vasip Sahin, à TV turca.

Por ora, nenhum grupo reivindicou a autoria do ataque, o segundo contra a polícia em apenas uma semana.

Na última quinta-feira, 1º de janeiro, um homem foi preso após lançar granadas e disparar contra policiais no gabinete do primeiro-ministro. Ninguém ficou ferido.

O autor do ataque morreu durante o incidente.

No episódio desta terça-feira, a polícia cercou uma área do distrito histórico, onde estão localizados a Mesquita Azul e a Basílica de Santa Sofia.

Sahin afirmou que a mulher usava um niqab (véu muçulmano que cobre o rosto e só deixa os olhos à mostra). Ela teria entrado na delegacia e afirmado aos policiais que havia perdido sua carteira, antes de detonar a bomba.

O ataque levou à interrupção momentânea do transporte público na praça histórica de Sultanahmet, um destino turístico popular visitado por milhares de pessoas diariamente.

O premiê turco Ahmet Davutoglu afirmou a jornalistas que ordenou uma "investigação sem precedentes" para apurar as causas do atentado e verificar conexões com eventuais grupos terroristas.

O último ataque, de 1º de janeiro, teve a autoria reivindicada pelo grupo marxista DHKP-C. O atentado ocorreu do lado de fora do Palácio Dolmabahce.

Considerado uma organização terrorista pelo governo turco, pela União Europeia e pelos Estados Unidos, o DHKP-C lançou vários ataques desde os anos 80, tendo como alvos a polícia, autoridades e, mais recentemente, a embaixada americana em Ancara em 2013.

Mas, segundo o correspondente da BBC em Istambul, Mark Lowen, o grupo não é "a única ameaça" que a Turquia atualmente enfrenta.

Segundo ele, o país acompanha com preocupação os recentes confrontos entre curdos e a polícia no sudeste, bem como desdobramentos violentos da guerra civil na vizinha Síria.

Lowen acrescenta que os episódios acenderam o "alerta vermelho" na Turquia.