EUA facilitam comércio e viagens a Cuba a partir de sexta-feira

Obama e Raúl Castro, em foto de arquivo (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Obama e Castro prometeram reaproximação bilateral, após décadas de rompimento

Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira medidas para aliviar as limitações a viagens e ao comércio com Cuba, nos primeiros passos concretos para a reaproximação bilateral anunciada por Barack Obama e Raúl Castro em 17 de dezembro.

As novas regras entrarão em vigor nesta sexta-feira, segundo os departamentos de Tesouro e Comércio.

Americanos que se qualifiquem nas 12 categorias contempladas (por exemplo, visita a familiares, jornalistas, viagens para atividades acadêmicas, religiosas, esportivas ou de caráter humanitário) poderão viajar para Cuba sem a necessidade de uma licença especial do governo dos EUA.

Agências de viagens e companhias aéreas poderão oferecer passagens a Cuba sem que precisem requerer autorizações específicas.

Leia mais: EUA-Cuba: Por que agora?

Residentes dos EUA que viajem à ilha poderão usar cartões de crédito e levar de volta ao seu país até US$ 400 em mercadorias e US$ 100 em bebidas alcóolicas ou tabaco.

Parentes também serão autorizados a enviar mais dinheiro a seus familiares em Cuba: até US$ 2 mil a cada três meses, em vez dos US$ 500 permitidos atualmente.

Ainda assim, o embargo imposto pelos EUA permanece em vigor, e seu fim depende de decisão do Congresso americano.

Negócios

No entanto, provedores de telecomunicações e internet, assim como instituições financeiras, também poderão começar a fazer negócios com Havana.

Em 17 de dezembro, os líderes de Cuba e EUA fizeram um anúncio histórico de que buscariam reatar os laços comerciais e diplomáticos, rompidos desde 1961.

Leia mais: EUA-Cuba: Brasil tem 'ganho político', mas benefício econômico ainda é incerto

"Essas medidas terão um impacto direto em empoderar e atrair a população cubana, promovendo mudanças positivas aos cidadãos de Cuba", disse em comunicado o secretário americano do Tesouro, Jacob J. Lew.

"Os anúncios de hoje (quinta) nos deixam um passo mais perto de substituir políticas antiquadas que não funcionavam e colocar em vigor medidas que ajudem a promover liberdade política e econômica ao povo cubano."

Com as medidas, a Casa Branca visa tornar os cubanos menos dependentes do aparato e da economia estatais.

Mas críticos dizem que Washington está ganhando pouco em troca de Havana no que diz respeito a reformas democráticas.

O Departamento de Estado americano alega, porém, que Cuba libertou nesta semana 53 prisioneiros.

Na semana que vem, a secretária-assistente de Estado Roberta Jacobson vai lidar uma delegação americana em viagem a Havana, para discutir a abertura de embaixadas nos dois países.