#SalaSocial: Petição online pede nacionalidade francesa para 'herói' de ataque a mercado

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Image caption Natural do Mali, Lassana Bathily salvou clientes ao escondê-los em frigorífico após atirador invadir local na última sexta-feira

Uma petição on-line pedindo a concessão da nacionalidade francesa e a Legião de Honra, maior condecoração do governo da França, ao muçulmano Lassana Bathily já coletou mais de 260 mil assinaturas.

Nascido no Mali, Bathily, de 24 anos, trabalhava no supermercado judaico que foi alvo de um ataque envolvendo um homem armado na última sexta-feira, no leste de Paris. Ele salvou vários clientes ao escondê-los no frigorífico após um atirador invadir o local.

Em entrevista ao canal de TV francês BFMTV, Bathily contou como escondeu os clientes.

"Fui até o frigorífico, abri a porta e muitas pessoas entraram. Falei para elas se acalmarem, não fazerem barulho", disse ele.

O sequestrador, posteriormente identificado como o muçulmano francês Amedy Coulibaly, invadiu o estabelecimento e manteve mais de dez pessoas reféns. Quatro delas ─ todos judeus ─ foram mortos pelo atirador.

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Após uma operação realizada pela polícia, Coulibaly foi morto e os reféns, libertados. Segundo os policiais, Coulibaly tinha ligações com os irmãos Chérif e Saïd Kouachi, autores do ataque à redação do semanário satírico Charlie Hebdo na quarta-feira passada.

A petição está hospedada em diversos idiomas no site da Change.org, uma das principais plataformas de abaixo-assinados online do mundo.

A iniciativa partiu da francesa Thiaba Bruni, porta-voz do CRAN (Conselho Representativo das Associações Negras da França).

'Raio de luz'

Na petição, que até a noite desta quarta-feira já acumulava mais de 260 mil assinaturas virtuais (o objetivo é chegar a 300 mil), Bruni diz que "mesmo na escuridão e na desolação, sempre há em algum lugar um raio de luz. Lassana Bathily, um jovem muçulmano do Mali, iluminou uma semana que de outra forma estaria completamente escurecida".

A ativista diz que Bathily chegou a ser preso pela polícia "por ser negro".

"Quando ele conseguiu escapar do supermercado, a polícia o prendeu e o deixou algemado por uma hora e meia, achando que este homem negro era inevitavelmente um dos terroristas. Quando a polícia finalmente percebeu o erro, eles o interrogaram, e Bathily deu aos policiais informações sobre a planta do local, o que facilitou a intervenção policial."

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"Esse herói comum é um modelo a ser seguido. Um cidadão indocumentado quando chegou à França, finalmente foi acolhido em uma loja judaica, e ele salvou 15 judeus. Quinze. Simplesmente", acrescenta Bruni na convocatória para o abaixo-assinado.

"Há muitas lições a serem aprendidas dessa história. O fato de ele ter sido estereotipado (confundido com um criminoso) levou a polícia a perder uma hora e meia em um contexto no qual cada minuto podia ser decisivo. Mas a história de Lassana é também uma grande lição sobre os benefícios de ajuda mútua e da irmandade, que é o significado mais profundo de todas as religiões verdadeiras".

"Por todas essas razões, pedimos ao presidente (da França) François Hollande que conceda a ele a nacionalidade francesa e a Legião de Honra", finaliza.

Por causa da petição online, o nome de Bathily virou trending topic no Twitter francês nesta quarta-feira. Desde a sua ação no mercado judaico, o nome de Lassana Bathily já rendeu 71.800 menções nas redes sociais.