Croácia perdoa dívida de 60 mil mais pobres para impulsionar economia

Primeiro-ministro croata, Zoran Milanovic / Crédito: Reuters Direito de imagem Reuters
Image caption Medida do governo croata tem como objetivo amenizar a crise e impulsionar a economia

Cerca de 60 mil croatas terão suas dívidas perdoadas como parte de um programa para impulsionar a economia do país, que está em crise.

A medida foi chamada de "novo começo" pelo governo croata e tem como objetivo dar uma "nova oportunidade" à população pobre para refazer suas finanças sem o peso de carregar mais dívidas.

Assim, dívidas desses cidadãos com bancos, empresas de telecomunicação e operadoras de serviços públicos, serão perdoadas – no total, seriam cerca de 2,1 bilhão de kuna (cerca de R$ 82 milhões) perdoados em dívidas.

"Nós avaliamos que essa medida será aplicável para cerca de 60 mil cidadãos. Assim, eles terão a chance de começar de novo, sem o peso da dívida", disse a Ministra do Bem-Estar Social croata, Milanka Opacic, à agência de notícias Reuters.

Para obter o perdão da dívida, os croatas terão que se inscrever no programa a partir desta segunda-feira. Só terão direito ao benefício os que tiveram conta bloqueada, dívidas menores que 35 mil kuna (R$ 13 mil) e renda mensal que não ultrapasse 1.250 kuna (R$ 490). Além disso, eles não podem ter propriedade, poupança ou dinheiro guardado.

Analistas, no entanto, são céticos em relação à medida. "Não sei se esse é o melhor jeito de ajudar pessoas de baixa renda", disse Deam Baker, co-diretor do Centro para Pesquisa Econômica e Políticas, com sede em Washington, ao jornal Washington Post. "Se credores acharem que isso pode acontecer de novo, cobrarão juros bem mais altos de pessoas de baixa renda".

Em nota ao Financial Times, o economista-chefe do Standard Bank disse que a medida pode ter sido criada de olho nos votos.

"Esse é o clássico caso de populismo em um ano de eleições parlamentares".

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Crise

A Croácia sente os efeitos da crise econômica que assola o continente europeu e já está em recessão há seis anos – e a previsão e crescimento para este ano também não é animadora.

Em um país pequeno, com apenas 4,4 milhões de habitantes, mais de 317 mil cidadãos ficaram com suas contas bancárias bloqueadas no ano passado por causa de dívidas. Segundo o governo croata, isso acaba sendo um grande peso que dificulta o crescimento da economia no país.

"É a primeira vez que um governo [croata] tenta resolver este problema difícil e estamos orgulhosos", ressaltou o primeiro-ministro Zoran Milanovic.

Para viabilizar o plano, Milanovic teve de "convencer" várias cidades, empresas públicas e privadas, empresas de telecomunicações e pelo menos nove bancos a perdoarem os débitos dos cidadãos mais pobres. O governo do país não irá ressarcir as empresas pelo dinheiro perdido.

Mesmo com o perdão das dívidas de milhares de cidadãos, a Croácia ainda terá de lidar com os débitos de outros milhares de cidadãos que não se aplicam aos critérios da medida. A dívida total dos cidadãos croatas é de 27, 95 bilhões de kuna (R$ 11 bilhões) e a parte perdoada pelo plano do governo equivale a no máximo 7% disso.

Ainda assim, o governo está otimista, já que cerca de 20% das pessoas que tiveram suas contas bloqueadas voltarão a ter acesso a elas e poderão fazer girar a economia – e a expectativa é que o resultado disso tenha impacto suficiente para amenizar a crise.

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