Cristina Kirchner cria polêmica ao tuitar piada sobre sotaque chinês

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Image caption Tuíte da presidente argentina fez brincadeira com a troca das letras 'r' por 'l'

Uma piada da presidente argentina, Cristina Kirchner, no Twitter envolvendo o sotaque chinês ganhou contornos de gafe diplomática durante uma cúpula de negócios em Pequim.

"Mais de mil participantes no evento... Serão todos da 'La Cámpola' (em referência ao grupo juvenil kirchnerista La Cámpora, que costuma participar das aparições públicas da presidente, em sinal de apoio) ou vieram só pelo aloz (brincadeira com a palavra arroz) e o petlóleo?", tuitou ela nesta quarta-feira, durante o Fórum de Negócios entre Argentina e China.

Foi uma aparente resposta à crítica, de opositores, sobre a presença de integrantes da Cámpora para supostamente engrossar o número de pessoas presentes nos atos de Cristina.

A mensagem de Cristina foi compartilhada cerca de 3 mil vezes até esta tarde e despertou diversas críticas, de pessoas que a consideraram "infeliz", "inadequada" para ser dita por uma ocupante de um cargo executivo e "preconceituosa" contra chineses.

"Sorry. Sabe o que é? É tanto o excesso de ridículo e o absurdo que só pode ser digerido com humor", reagiu a presidente em seguida, também no Twitter.

O episódio virou capa dos jornais argentinos, e "La Cámpola" se tornou "trending topic" no Twitter. Além disso, se espalharam piadas chamando a presidente de "Crischina".

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Cristina está na China em uma turnê para fortalecer os laços econômicos com a China, num momento de estagnação econômica na Argentina.

A presidente se encontrou com seu par chinês, Xi Jinping, com quem assinou 15 acordos envolvendo vistos de viagem, energia e investimentos (de quantias não detalhadas) e tecnologia espacial, informa a agência Associated Press.

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Image caption Em seguida, Cristina disse que o humor é para lidar 'com o excesso de ridículo e o absurdo'

A viagem ocorre em meio à crise política na Argentina pelo caso Nisman - a investigação da misteriosa morte do promotor Alberto Nisman, que investigava o atentado de 1994 contra a entidade judaica AMIA, que deixou 85 mortos em Buenos Aires.

A imprensa argentina reportou, nesta semana, que Nisman havia feito um rascunho de pedido de prisão de Cristina e seu então chanceler, Héctor Timerman, como confirmou a promotora que investiga a morte dele, Viviana Fein.

Nisman havia acusado a presidente de ter encoberto, por motivos comerciais, a suposta participação do Irã no atentado de 21 anos atrás.

Mas o rascunho, datado de junho de 2014, não foi incluído por Nisman no relatório de 300 páginas que ele submeteu à Justiça Federal argentina antes da própria morte.

Nisman foi encontrado morto em seu apartamento em Buenos Aires, em janeiro, com um tiro na cabeça. A investigação ainda não definiu se ele cometeu suicídio ou foi assassinado.